quarta-feira, 22 de setembro de 2010

FOCALIZAÇÃO E ACONSELHAMENTO
HUGO BONHAM - Tradução: Wolber de Alvarenga

Focalização pode ser descrita simplesmente como "ouvindo seu corpo".

É um
processo de um ouvir ativo, isto é, não somente escutar e ter a sensação, do que
seu corpo está lhe dizendo, mas também refletir e compreender sua experiencia
em constante revisão da sensação sentida..

Contactuando assim com seu corpo
eu acredito que voce entrará em contacto em níveis cada vez mais profundo com
voce mesmo,onde voce encontrará o "conhecimento sentido", antes das palavras
ou outros símbolos possíveis a sua compreensão.

O "conhecimento sentido" é
simplesmente uma maneira de conhecer que é sentida. Isto inclui o nível onde as
pessoas têm a sensação visceral acerca de alguma coisa, mas é mais do que
isto.Quer voce fale ou sinta o significado do que está dizendo, voce está
acessando o conhecimento sentido interiormente.

Ele está sempre lá em todas
suas experiencias, mas nós comumente não temos acesso a ele diretamente, ou
supomos que ele esta subentendido em algo mais.

Nossa constante experiência
interior do conhecimento sentido contêm a riqueza a profundidade e o significado
da nossa existência. Podemos perder tudo isto se alienarmos do nosso corpo - a
vida “na cabeça” pode ser uma experiencia bastante desastrosa.

Praticando a
FOCALIZAÇÃO ajuda a pessoa aprofundar o contacto com sua vida interior, com
o mais íntimo de seu ser.

Supõe-se freqüentemente que na terapia o sentimento corporal surgirá
naturalmente enquanto o indivíduo expõe uma situação ou um problema. Mas é na
focalização que esta sensação corporal sentida do problema como um todo surge,
um "conhecimento sentido”, e que contem tudo acerca do problema.

Este
"conhecimento sentido" pode ser considerado uma porta de entrada para resolver
completamente o problema, simplesmente por que a focalização foi a maneira
através da qual ele foi trabalhado.

A direção também surge através do
"conhecimento sentido". O conhecimento sentido pode surgir ou desabrochar
como uma imagem, emoção, ou memória, sons, palavras, pensamentos, gestos
etc.

Você já teve a sensação de estar sendo realmente ouvido ou compreendido por
alguém? O que aconteceu no passado não muda, mas de repente a maneira
como você se sente interiormente muda. Durante a focalização você experiencia a
mesma coisa, e sua sensação do problema

Muda quando você simplesmente deixa a sua compreensão do problema como
um todo surgir do conhecimento da sensação sentida. Isto acontece através de
uma reflexão em sintonia com sua atenção no lugar onde a sensação ocorre.

É
semelhante a você estar sentindo sua própria compreensão, quando você checa
sua descrição do que você está sentindo em seu corpo e vendo se ela esta de
acordo com a sensação. Na focalização esse checar ocorre através das palavras
na maioria das vezes, mas não existem regras para isto.

Se os símbolos ou
imagens surgem você pode também checar através delas e vendo se elas

representam adequadamente as sensações sentidas e ver o que muda na
maneira de senti-las.

A focalização pode ser usada também no contexto de outras
formas de terapia.

Dependendo da modalidade de terapia que estiver sendo
usada, a reflexão poderia ser através de um movimento do corpo ou dança, ou
como um som ou selecionando alguma figura que melhor represente a sensação
ou desenhando.

A focalização pode ser usada na terapia, mas não é outra forma de terapia. O
processo de focalização é uma habilidade natural do ser humano e como tal não
entra em conflito com outros métodos, de fato os complementa.

Assim como a
escuta ativa é uma habilidade importante na comunicação que possibilita ao
conselheiro a entrar em contacto com o cliente, assim também é a focalização,
uma importante habilidade de comunicação que capacita ao cliente entrar em
contacto cada vez mais profundo com o seu ser.

Você pode pensar da focalização
como uma comunicação entre a compreensão e o conhecimento sentido. Nosso
conhecimento sentido pode ser visto como algo insondável em que não há limite
de profundidade para seu acesso, exceto a sutileza de nossa percepção.


De fato a focalização leva a pessoa a contactuar tão profundamente que ela pode
também ser usada em aconselhamento espiritual. De um modo respeitoso e
efetivo ela ajuda o cliente a ter acesso a sua verdade interior nos níveis mais
profundos possíveis.

O terapeuta pode apontar este nível experiencial sentido levantando simplesmente
a questão: Como você sente esta situação como um todo em seu corpo?

Isto
funciona especificamente bem com crianças e adolescentes porque eles ainda
não criaram as barreiras contra o acesso natural ao corpo que nós temos.


Quando as pessoas estão emocionalmente perturbadas elas também têm acesso
ao corpo, porque a experiência sentida é muito forte de forma que ela quebra as
nossas barreiras naturais. Transformações surpreendentes podem ocorrer em
pessoas perturbadas emocionalmente em poucos minutos, colocando sua atenção
em sua experiência corporal e guiando-as gentilmente a uma focalização.

A focalização surgiu da interação entre Carl Rogers e Gene Gendlin por volta de
l950 na Universidade de Chicago, Gendlin era realmente um filosofo e estava
interessado em aplicar suas idéias na situação terapêutica e queria descobrir o
que acontece numa psicoterapia bem sucedida.

Ele tinha bastante conhecimento
dos primeiros trabalhos que enfatizavam a importância central da empatia na
relação entre o cliente e o terapeuta e a importância em lidar com as emoções
mas descobriu que isto não era o suficiente para tornar uma psicoterapia bem
sucedida.

Examinando centenas de transcrições e horas de gravações das
sessões psicoterápicas , Gendlin e Zimring formularam os níveis da variável
experiencial

.Baseado em suas pesquisas Gendlin descobriu que clientes que
iniciavam a terapia já capazes de expressar a experiência corporalmente sentida
melhoravam, enquanto que aqueles que eram incapazes de se expressarem de
forma experiencial não aprendiam necessariamente a se expressarem desta
forma durante o processo e tinha um resultado pobre.

`Para a surpresa e
desapontamento dos psicoterapeutas foi descoberto que o resultado a

psicoterapia poderia ser previsto , num alto grau de confiabilidade, somente
através das medidas baseadas na habilidade experiencial do cliente.

A fim de
melhorar o sucesso terapêutico, foram desenvolvidas instruções especificas para
ensinar as pessoas esse processo importante que foi denominado focalização.

Quando as pessoas usam dessa habilidade natural, elas tendem a parar e através
de tentativas ir buscando palavras ou imagens que representem cada vez mais
acuradamente seu processo experiencial.

Elas prestam atenção na sensação
vaga e pouco definida daqueles aspectos corporalmente sentidos de como elas
estão na situação. Elas não ficam só no que pensam acerca da situação e nem
ficam mergulhadas em suas emoções.

Elas buscam colocar o foco no que Gendlin
chama “ a sensação corporalmente sentida da...” situação ou problema. Palavras,
imagens, emoções etc. podem surgir diretamente daquelas sensações. O que vem
é freqüentemente uma surpresa.

Um novo aspecto da experiência emerge, um
pequeno passo de mudança que trás uma resposta corporal, igual uma leve
diminuição da tensão física, ou lágrimas, ou uma respiração mais profunda.

Gendlin chama isto de “mudança sentida”.

A ,mudança sentida sido mostrada
correlacionando com o aumento da freqüência alfa no EEG (Don l977) . De acordo
com Gendlin essa espécie de processo é um importante “motor de mudança” na
psicoterapia.

Mais de 40 anos de pesquisa mostraram forte e repetidamente que clientes que
clientes que processam numa maneira experiencial alta ou focaliza; se saiem
melhor na terapia, de acordo com clientes, terapeutas e medidas de resultado
objetivas. (Ver http://www.focusing.org/research-basis.html)

As pesquisas encontraram também suporte para a idéia de que a interação com o
cliente na terapia, se os ajuda na maneira de focalizar, é desejável no processo.

Um outro lado interessante dos efeitos da focalização é que homens ou aqueles
que operam mais através de suas compreensões, obtém melhor acesso a suas
emoções, aprendendo a ter acesso ao corpo. Por outro lado àqueles que operam
mais através das emoções e que se vêem facilmente perdidos ou tomados por
fortes emoçõe
s a focalização ajuda-os a criar uma relação saudável baseada em
seus corpos.

Outro lado dos efeitos desenvolvidos no uso da focalização pode
incluir: sendo mais realistas e vivendo mais no presente através de seu corpo;
sendo capazes de conectar mais profunda e ricamente como o desenrolar de sua
experiência de vida, obtendo mais acesso a suas intuições, etc.

Como a
comunicação pode ser usada para objetivos alem da psicoterapia assim também a
focalização pode ser usada para muitos objetivos.

O modo que eu ensino
focalização é antes de tudo para uma auto-terapia, de modo que uma vez
aprendida ela possa ser usada para tomar decisões, ter idéias criativas ,
aprendizagens interiores, ou mesmo “Think at the edge” a respeito do que você
conhece, e trazer novas palavras ou idéias que você apenas sente de um modo
difuso.