O termo "iluminação" Zen e "despertar" são usados alternadamente.
This awakening so to speak is a spiritual enlightenment and is a fundamental achievement among Zen practitioners.
Esse despertar, por assim dizer é uma iluminação espiritual e é uma conquista fundamental entre os praticantes do zen.
The basic premise behind Zen enlightenment is that whatever will be will be.
A premissa básica por trás iluminação Zen é que tudo o que tiver que ser será.
It is said that the more we "embrace" the moment, the more enlightened we are.
Diz-se que quanto mais "abraçar" o momento, os mais esclarecidos somos.
This is like saying that we can't control the circumstances of our lives, so instead of dwelling over them, we have to learn to become okay with them.
Isto é como dizer que não podemos controlar as circunstâncias de nossas vidas, então ao invés de habitação sobre eles, temos que aprender a tornar-se bem com eles.
This is a pretty big feat as some of the things that you should be okay with are pretty powerful.
Esta é uma façanha muito grande como algumas das coisas que você deve estar bem com são muito poderosos.
For example, imagine somebody asking you if you were okay with dying, or if losing a limb or an eye would bother you.
Por exemplo, imagine alguém perguntar se estava tudo bem com a morte, ou se perder um membro ou um olho iria incomodá-lo.
Also imagine losing the love of your life and being able to say that you're okay with that.
Também imaginar perder o amor da sua vida e ser capaz de dizer que você está bem com isso.
My answer to these questions would be a resounding no, but it is not until you can do this when you will be considered truly enlightened.
Minha resposta a essas perguntas seria um sonoro "não", mas não é até que você pode fazer isso quando você vai ser considerado verdadeiramente iluminados.
The real question that remains is how to achieve this fundamental aspect of Zen Buddhism.
A verdadeira questão que permanece é como conseguir este aspecto fundamental do Zen Budismo.
How is it possible to not be upset by some of these life changing questions, the most serious of all would be, are you okay with dying?
Como é possível não ficar chateado por algumas destas questões de mudança de vida, a mais grave de todos seria, você está bem com a morte?
The text book answer to this is to be able to stop running away from the moment at hand and instead, embrace it.
A resposta do livro de texto para isso é ser capaz de parar de fugir partir do momento em mão e em vez disso, abraçá-lo.
This does not mean that it will be easy or even enjoyable but is a must if you intend to grow to your full spiritual ability.
Isso não significa que será fácil nem agradável, mas é uma necessidade, se você pretende crescer a sua capacidade espiritual completa.
It is a state of mind where no matter what type of curveball life throws your way, your able to take it in stride and have enough inner harmony to just say okay, not a problem.
É um estado de espírito em que não importa que tipo de vida curveball joga sua maneira, o seu poder para tomá-lo com calma e ter a harmonia interior suficiente para dizer ok, não é um problema.
This brings us to a staple of Zen enlightenment, meditation. Isso nos leva a um grampo de iluminação Zen, meditação.
Meditation is when you sit for long periods of time, bringing along certain difficulties, which in turn you will enable you to handle any and all situations that come your way and get through even the worst type of difficulty that one can face.
A meditação é quando você se sentar por longos períodos de tempo, trazendo algumas dificuldades, que por sua vez irá permitir-lhe lidar com qualquer e todas as situações que surgem em seu caminho e passar mesmo o pior tipo de dificuldade que se pode enfrentar.
Finding Zen enlightenment can be a challenge. Encontrar iluminação zen pode ser um desafio. For most people, it can be a great struggle to discipline their minds in order to achieve a state in which enlightenment can occur.
Para a maioria das pessoas, pode ser uma grande luta para disciplinar suas mentes a fim de alcançar um estado em que a iluminação pode ocorrer.
With so many negative distraction in the world, how can a person successfully block all of the negative thoughts.
Com tanta distração muitas negativas no mundo, como pode uma pessoa com sucesso bloquear todos os pensamentos negativos.
This is why effective mediation is so important to the Zen lifestyle. É por isso que uma mediação eficaz é tão importante para o estilo de vida zen. And not just a once in a while kind of practice.
E não apenas uma vez em uma espécie durante a prática.
Meditation should occur each day, just like eating, breathing, sleeping, etc. Daily meditation is an efficient way of "cleansing" the mind, making the possibility of Zen enlightenment more likely to happen.
A meditação deve ocorrer a cada dia, como comer, respirar, dormir, etc meditação diária é uma forma eficiente de "limpar" a mente, tornando a possibilidade de iluminação zen mais provável de acontecer.
Although extremely difficult the achievement of Zen enlightenment is the pinnacle of the Zen lifestyle.
Embora extremamente difícil a realização da iluminação Zen é o auge do estilo de vida zen.
It is something that its teachings drive home from the very beginning and when finally achieved is the ultimate in freeing up your mind, which in turn allows deeper thoughts.
É algo que os seus ensinamentos para casa, desde o começo e quando finalmente alcançada é a última palavra em liberar sua mente, que por sua vez permite que os pensamentos mais profundos.
The impact of this accomplishment far outweighs the sacrifice that one must make to become more patient, understanding and loving.
O impacto desta realização supera de longe o sacrifício que se deve fazer para se tornar mais paciente, compreensivo e amoroso.
Want to learn more about achieving Zen enlightenment ? Quer saber mais sobre a realização da iluminação zen ?
Visit my Zen Enlightenment blog to get more info on how to use Zen to improve your mindset and your life. Visite meu Iluminismo Zen blog para obter mais informação sobre como usar o zen para melhorar a sua mentalidade e sua vida.
domingo, 28 de novembro de 2010
sábado, 20 de novembro de 2010
Congruência e Incongruência
Congruência é definida como o grau de exatidão entre a experiência da comunicação e a tomada de consciência. Ela se relaciona às discrepâncias entre experienciar e tomar consciência.
Um alto grau da congruência significa que a comunicação (o que se está expressando), a experiência (o que está ocorrendo em nosso campo) e a tomada de consciência (o que se está percebendo) são todas semelhantes. Nossas observações e as de um observador externo seriam consistentes.
Crianças pequenas exibem alta congruência. Expressam seus sentimentos logo que seja possível com o seu ser total. Quando uma criança tem fome ela toda está com fome, neste exato momento! Quando uma criança sente amor ou raiva, ela expressa plenamente essas emoções. Isto pode justificar a rapidez com que a criança substitui um estado emocional por outro.
A expressão total de seus sentimentos permite que elas liquidem a bagagem emocional que não foi expressa em experiências anteriores. A congruência é bem descrita por um Zen-budista ao dizer: "Quando tenho fome, como; quando estou cansado, sento-me; quando estou com sono, durmo".
A incongruência ocorre quando há diferenças entre a tomada de consciência, a experiência e a comunicação desta. As pessoas que parecem estar com raiva (punhos cerrados, tom de voz elevado, praguejando) e que replicam que de forma alguma estão com raiva, se interpeladas, ou as pessoas que dizem estar passando por um período maravilhoso mas que se mostram entediadas, isoladas ou facilmente doentes, estão revelando incongruência. É definida não só como inabilidade de perceber com precisão mas também como inabilidade ou incapacidade de comunicação precisa. Quando a incongruência está entre a tomada de consciência e a experiência, é chamada repressão.
A pessoa simplesmente não tem consciência do que está fazendo. A maioria das psicoterapias trabalha sobre este sintoma de incongruência ajudando as pessoas a se tomarem mais conscientes de suas ações, pensamentos e atitudes na medida em que estes as afetam e aos outros.
Quando a incongruência é uma discrepância entre a tomada de consciência e a comunicação a pessoa não expressa o que está realmente sentindo, pensando ou experienciando.
Este tipo de incongruência é muitas vezes percebido como mentiroso, inautêntico ou desonesto. Muitas vezes esses comportamentos tomam-se foco de discussões em terapias de grupo ou em grupos de encontro.
Embora tais comportamentos pareçam ser realizados com malícia, terapeutas e treinadores relatam que a ausência de congruência social, aparente falta de boa vontade em comunicar-se, é com freqüência, uma falta de autocontrole e consciência pessoal.
A pessoa não é capaz de expressar suas emoções e percepções reais em virtude do medo e de velhos hábitos de encobrimento que são difíceis de superar. Por outro lado, é possível que a pessoa tenha dificuldade em compreender o que os outros esperam dela.
A incongruência pode ser sentida como tensão, ansiedade ou, em circunstâncias mais extremas, como confusão interna. Um paciente internado em hospital psiquiátrico que declara não saber onde está, em que hospital, qual a hora do dia, ou mesmo quem ele é, está exibindo alto grau de incongruência.
A discrepância entre a realidade externa e aquilo que ele está subjetivamente experienciando tomou-se tão grande que ele não é capaz de atuar. A maioria dos sintomas descritos na Literatura psiquiátrica podem ser vistos como formas de incongruência. Para Rogers, a forma particular de distúrbio é menos crítica do que o reconhecimento de que há uma incongruência que exige uma solução.
A incongruência é visível em observações como, por exemplo, "não sou capaz de tomar decisões", "não sei o que quero", "nunca serei capaz de persistir em algo",
A confusão aparece quando você não é capaz de escolher dentre os diferentes estímulos aos quais se acha exposto. Considere o caso de um cliente que relata: "Minha mãe pede-me que cuide dela, é o mínimo que posso fazer. Minha namorada recomenda que eu me mantenha firme para não ser puxado de todo lado. Penso que sou muito bom para minha mãe, mais do que ela merece. Às vezes a odeio, às vezes a amo. Às vezes é bom estar com ela, às vezes ela me diminui."
O cliente está assediado por estímulos diferentes. Cada um deles é válido e conduz a ações válidas por algum tempo. É difícil diferenciar, dentre estes estímulos, aqueles que são genuínos daqueles que são impostos.
0 problema pode estar em reconhecê-los como diferentes e ser capaz de trabalhar sobre sentimentos diferentes em momentos diferentes. A ambivalência não é Iara ou anormal; não ser capaz de reconhecê-la ou enfrentá-la pode ser uma causa de ansiedade.
Congruência é definida como o grau de exatidão entre a experiência da comunicação e a tomada de consciência. Ela se relaciona às discrepâncias entre experienciar e tomar consciência.
Um alto grau da congruência significa que a comunicação (o que se está expressando), a experiência (o que está ocorrendo em nosso campo) e a tomada de consciência (o que se está percebendo) são todas semelhantes. Nossas observações e as de um observador externo seriam consistentes.
Crianças pequenas exibem alta congruência. Expressam seus sentimentos logo que seja possível com o seu ser total. Quando uma criança tem fome ela toda está com fome, neste exato momento! Quando uma criança sente amor ou raiva, ela expressa plenamente essas emoções. Isto pode justificar a rapidez com que a criança substitui um estado emocional por outro.
A expressão total de seus sentimentos permite que elas liquidem a bagagem emocional que não foi expressa em experiências anteriores. A congruência é bem descrita por um Zen-budista ao dizer: "Quando tenho fome, como; quando estou cansado, sento-me; quando estou com sono, durmo".
A incongruência ocorre quando há diferenças entre a tomada de consciência, a experiência e a comunicação desta. As pessoas que parecem estar com raiva (punhos cerrados, tom de voz elevado, praguejando) e que replicam que de forma alguma estão com raiva, se interpeladas, ou as pessoas que dizem estar passando por um período maravilhoso mas que se mostram entediadas, isoladas ou facilmente doentes, estão revelando incongruência. É definida não só como inabilidade de perceber com precisão mas também como inabilidade ou incapacidade de comunicação precisa. Quando a incongruência está entre a tomada de consciência e a experiência, é chamada repressão.
A pessoa simplesmente não tem consciência do que está fazendo. A maioria das psicoterapias trabalha sobre este sintoma de incongruência ajudando as pessoas a se tomarem mais conscientes de suas ações, pensamentos e atitudes na medida em que estes as afetam e aos outros.
Quando a incongruência é uma discrepância entre a tomada de consciência e a comunicação a pessoa não expressa o que está realmente sentindo, pensando ou experienciando.
Este tipo de incongruência é muitas vezes percebido como mentiroso, inautêntico ou desonesto. Muitas vezes esses comportamentos tomam-se foco de discussões em terapias de grupo ou em grupos de encontro.
Embora tais comportamentos pareçam ser realizados com malícia, terapeutas e treinadores relatam que a ausência de congruência social, aparente falta de boa vontade em comunicar-se, é com freqüência, uma falta de autocontrole e consciência pessoal.
A pessoa não é capaz de expressar suas emoções e percepções reais em virtude do medo e de velhos hábitos de encobrimento que são difíceis de superar. Por outro lado, é possível que a pessoa tenha dificuldade em compreender o que os outros esperam dela.
A incongruência pode ser sentida como tensão, ansiedade ou, em circunstâncias mais extremas, como confusão interna. Um paciente internado em hospital psiquiátrico que declara não saber onde está, em que hospital, qual a hora do dia, ou mesmo quem ele é, está exibindo alto grau de incongruência.
A discrepância entre a realidade externa e aquilo que ele está subjetivamente experienciando tomou-se tão grande que ele não é capaz de atuar. A maioria dos sintomas descritos na Literatura psiquiátrica podem ser vistos como formas de incongruência. Para Rogers, a forma particular de distúrbio é menos crítica do que o reconhecimento de que há uma incongruência que exige uma solução.
A incongruência é visível em observações como, por exemplo, "não sou capaz de tomar decisões", "não sei o que quero", "nunca serei capaz de persistir em algo",
A confusão aparece quando você não é capaz de escolher dentre os diferentes estímulos aos quais se acha exposto. Considere o caso de um cliente que relata: "Minha mãe pede-me que cuide dela, é o mínimo que posso fazer. Minha namorada recomenda que eu me mantenha firme para não ser puxado de todo lado. Penso que sou muito bom para minha mãe, mais do que ela merece. Às vezes a odeio, às vezes a amo. Às vezes é bom estar com ela, às vezes ela me diminui."
O cliente está assediado por estímulos diferentes. Cada um deles é válido e conduz a ações válidas por algum tempo. É difícil diferenciar, dentre estes estímulos, aqueles que são genuínos daqueles que são impostos.
0 problema pode estar em reconhecê-los como diferentes e ser capaz de trabalhar sobre sentimentos diferentes em momentos diferentes. A ambivalência não é Iara ou anormal; não ser capaz de reconhecê-la ou enfrentá-la pode ser uma causa de ansiedade.
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010
JEFFREY MISHLOVE, Ph.D.: Hello and welcome. I'm Jeffrey Mishlove. Our topic today is "Self-Expression." With me is spiritual teacher IsanaMada, who is author of More Than Me and also A Call to Greatness. Welcome.
ISANAMADA: Thank you, Jeffrey.
MISHLOVE: It's a pleasure to be with you.
ISANAMADA: I'm very happy to be here.
MISHLOVE: When we think of self-expression, I'm of the opinion, as I look at your work, that your belief is that there is vast greatness, even glory, within each of us, and we hide ourselves from it sometimes by not being congruent or honest or fully truthful about who we are when we express ourselves in the world.
ISANAMADA: Yes. I think I would feel more comfortable talking about it not so much as hiding it from ourselves, but that we have lost touch with it, that at least the modern human being in the Western world has become distracted by many things, and has just lost touch with that aspect of themselves, that part of the self, that level of their being, that is the truth of themselves, and instead have been living out of a surface level, a personality level, a lower-mind level of being that is not satisfying, that's not fulfilling, that is not truly an expression of who we are.
MISHLOVE: I know you actually quote one writer -- I believe it's the Tibetan lama Sogyal Rinpoche -- who marvels at the great ability of modern culture to fascinate us with distractions that lead us away from ourselves.
ISANAMADA: Yes. And he condemns that, and I think that we all can condemn that without feeling bad about condemning it. But also Sogyal Rinpoche stands for something; he doesn't just stand against that. He stands for the truth of ourselves and our ability to begin to understand ourselves in life and in death.
MISHLOVE: In your works you draw upon the teachings of Sogyal Rinpoche, just to mention one among many, and it gave me the sense of optimism in spite of this cultural numbness, if I could call it that, because it seems as if we live in an age where there are more and more teachers of wisdom, teachers of enlightenment -- that it is being spoken of more and more. I can say that I have had the privilege of interviewing many such people, including yourself now, and that this is becoming in some sense the birthright of all people.
ISANAMADA: Yes. Well, I think it always has been. I feel it always has been the birthright of all people, but that we are in a very special time now; we are in an unprecedented epoch of human history, and that epoch is marked by exactly what you're talking about -- the fact that enlightenment, that an evolutional leap, is available to the ordinary human being, and that the ordinary human being is so supported, is so blessed with wisdom at every turn, but is so distracted, and I think more than anything confused, more than numb. I feel that our culture is confused. Our culture has become unable to make correct distinctions about what is lawful and what is not lawful in terms of being human, and that our spiritual leaders, our wisdom teachers, those people who have by grace experienced a perception that is transcendent to the ordinary way of perceiving things, that their duty and their blessing at this time is to help the culture, the individual human beings of the culture, to be able to see differently, to be able to translate what's going on in the world, and in their very own lives and their own processes that are very dynamic and very obviously unfolding, you see. But the people don't understand that they are awakening. They don't understand that they are awakening. They know something's happening, but they're not able to understand and translate what's happening as them, as their very own selves, and as the people they know and as the culture itself.
MISHLOVE: You used the term earlier, lawful.
ISANAMADA: Yes.
MISHLOVE: I wonder if you could amplify. I was confused about,"We don't understand what's lawful and what is not lawful," I think you said in terms of our human nature.
ISANAMADA: Yes, and when I use the word lawful, I take that from other very high teachings. I have been given that in my own research and my own study over the years, and that Lawful is with a capital L. Supposedly the word Lord translates to Law, and so the capital Lawful means that there is a truth that abides in us, that is transcendent -- the Lord is a transcendent state of being -- and that Lawfulness is a transcendent Law that is a part of our own genetic makeup, our own psychological and biological makeup, that's a part of our humanity, and that we have lost touch with that, that over time, while other important things were being put in place in our preparation for the next evolutionary leap, we've lost touch with that intuitional level.ÿÿWe have failed to intuit the laws of the universe in our own course of action.
MISHLOVE: It seems as if you look at the religions of the planet now -- they all have a sense of "This is God's law; these are the rules you must obey." And of course they're all different from one another, which makes one suspect that they may be relative, rather than some kind of fundamental law. And I gather you're referring to fundamental law here.
ISANAMADA: Yes, I'm really referring to universal Principle, with a capital P, not to personal opinion. What I feel we need also is a very strong dose of humility. I find it very presumptuous of any human being, including myself, any of us, to appear on earth and to live a short lifetime, and in that lifetime to presume that our opinions about anything should hold any weight, and that we should live out of opinions, which are acculturated; they're really somebody else's opinions that we have taken on. They're not even our own true thoughts about things, you see. They're prejudices. And so our society, and our societies, have been living out of arrogant people's opinions, or people's arrogant opinions about themselves, about others, about the way things should be in their societies and their families and their friendships and their relationships. It's like we have made a terrible mess by living out of our prejudicial opinions, and we must go deeper, we must go wider, and we must go higher than that if we are to match the evolutionary process that is sweeping us along, you see.
MISHLOVE: I'm under the impression from your writings that your work is grounded in what people sometimes call the perennial tradition, the primordial tradition -- that is, the spiritual wisdom that seems to come from the great mystics and teachers of all cultures and almost all ages.
ISANAMADA: Yes. Yes, that's true.
MISHLOVE: That when you talk about Principle, with a capital P, you're referring to something along those lines.
ISANAMADA: Yes. And bridging back to what you were talking about earlier in your question, you were saying so many different religions or groups or whatever have very strong opinions about what the law is, what the basic teachings are. I feel that these years we really must be able at least to see that we've got to stop arguing about who's right and who's wrong. And I guess a very important part of the work that I have brought forth as the Call to Greatness, the teachings of the course in congruence, is that the ego, which is a stage-specific phase of our evolutionary process, the ego holds itself separate and right, and when we move beyond that stage of evolution, when we transcend it in truth, we realize that there is no right, or that it's all right, and that what we must do is make the highest choice, given that everything is right.
MISHLOVE: You mentioned the ego.
ISANAMADA: And that's getting too abstract.
MISHLOVE: Well, we'll come around again. It is abstract, but sometimes these abstract truths are quite profound, and while they may be difficult to grasp, I think if we try and approach it from a few different angles we'll be able to illuminate the question. And so what I'd like to go back to is the word you used, the ego. You know, we banter it around so easily in our conversation. I think it possibly means different things to different people, and I suspect you're using it in a very particular way that I'd like you to amplify.
ISANAMADA: All right. Well, I feel because I was a seeker, of understanding at least -- trying to figure my life out when I was a young woman and growing up and a middle-aged woman -- I did a lot of reading and taking courses and trying to figure it all out, how to do it. And what I realized, that in the last thirty years a lot of information about the ego has been given to our Western culture, to our Western society, but there's a lot of confusion about what that ego is.
MISHLOVE: There's a whole branch of psychology called ego psychology.
ISANAMADA: Really! I didn't know that.
MISHLOVE: Part of psychoanalysis generally.
ISANAMADA: All right. So anyway, even having read so much about the ego myself, having spoken to a lot of people who talked about the ego this way and that, I in a very inspired moment was given a picture of what the ego is, and a very simple explanation of it as a mechanism, as a psychological mechanism that is a vital part of our humanity. And so I have drawn that, and I have taught that very simple model of the ego to many people over the last nine years. Very basically, the ego is our past; it's an accumulation of experiences that we have had, and conclusions we have drawn based on those experiences. But it's also -- the kind of mechanism that it is, the function that it is psychologically, causes us to feel separate as an egoic being. And it causes us to reflect very clearly into the past and have a very difficult time seeing what's going on right here in the present moment.
MISHLOVE: So if I were to paraphrase you, I might say that you're defining the ego as the part of ourselves that we typically identify with based on our life history.
ISANAMADA: Yes.
MISHLOVE: And you're suggesting that we limit ourselves when we do that.
ISANAMADA: Well, the ego is the limitation. It's very difficult even to talk about this, because we have identified ourselves as like we actually have no identity except the ego. It's like the ego is our identity, and yet it is not us. It's not who we are. But we have been made to believe that's who we are. We are so much more than that.
MISHLOVE: And our self-expression, the way you speak of self-expression, is so much more than that.
ISANAMADA: Yes. And of course the way I speak about Self-expression is with a capital S. There is the lower self, which is the ordinary personality, the lower mind, the ego self, which is a very important -- in fact we couldn't be here, we couldn't experience life in this realm, in the third dimension, without our wonderful ego function.
MISHLOVE: Self with a small s.
ISANAMADA: With a small s. But the ego is only to allow us to be here and to become transcendent to that littleness, and to become the greatness that we really are, here in our human life -- to become more fully human as that greater Self.
MISHLOVE: You used the word intuition earlier in terms of accessing Principle, with a capital P, and I suspect that it's through our intuition, our inner knowing, that we also access our Self, with a capital S.
ISANAMADA: Well, I say that our inner Self is our capital Self.
MISHLOVE: I see.
ISANAMADA: I say that our outer self is just a shell, and it's a surface veneer, and just behind that, or just under that, or just over that, or around it, or whatever, is this glorious reality that is the truth of us. It is the Self-expression that is demanding to be made.
MISHLOVE: And I have to say you write about it very eloquently and poetically, suggesting that the very birth of the universe is part of who we are, and the death of the universe is within us, and the great truths of existence itself, and purpose and destiny -- these are part of our real inner being.
ISANAMADA: Yes. And I guess I would even say that they're not a part of us, they are us. It's like we are a part of them. We are an integral part of that great wholeness, and all of the dynamics of creation are the dynamics of us. All of the laws of the universe are the laws of us. All of the expressions and the creation is us, it's who we are; like we're so much more than we have assumed. We are so much more than we have ever been ready to be before. And my premise is, and my true feeling is, that we are ready now, we are truly ready, to embody and be great, really. And I also am feeling that many people who are awakening these days do not understand what's happening with them, in them, as them, and that part of my work to do is to tell them, "You're awakening, and this is what awakening means, and this is what we do about it."
MISHLOVE: You went through an extraordinary transformation of your own, and I believe in your book More Than Me you write about it as an event that really took place in 1984, and that left you a very, very different person. Not everybody awakens in such a dramatic fashion.
ISANAMADA: Yes, and I will say that the awakening began in 1984, and of course it continues. But the drama of the first year and nine months, year and ten months,ÿwas devastating, at the same time that it was the most wondrous and loving and comfortable experience. It was all of that at the same time. I had no idea what was happening to me, and no one seemed to be able to tell me, but I began to ask questions that I had never asked before, and even though I couldn't get the answers in my outer world, there was an experience going on inside of me that said, "I know something that I don't know," and I just kept honoring that as my world fell apart, my life completely fell apart around me, and over time I lost everything, including all of the people who were most dear to me -- family, my long-term lover, all of my possessions. I lost my whole life, and realized after the summer of 1985 that I had actually lost myself, and that I began to experience myself as a completely different identity, but not in a weird way. I was just completely changed.
MISHLOVE: When you speak of people awakening today and not really knowing what's happening to them, I guess you can say that because in a sense you've been there.
ISANAMADA: Yes. Yes, because I was there, and really reaching out to try to find help and understanding, because I was in different periods very aware that I was close to losing my mind, close to losing my sanity. I was going through a very dark, dark night of the soul and didn't know it. But anyhow, I learned about that afterward, and then also because I've been standing in front of and sitting with people now for all these years in doing my work that I have been called to do, and I see the tremendous gap between what's going on with these people and their ability to understand it, you see.
MISHLOVE: Well, many people go through spiritual crises, and they don't have a support system. They're not in touch with the perennial wisdom.
ISANAMADA: Yes.
MISHLOVE: I suppose one of the dangers today is that we live in an era of-- you might call it a spiritual supermarket, where you can take your pick of thirty or forty different kinds of meditations, and how many different styles of physical exercise, and yoga, and people offering you truths of their own making, from every street corner, practically. And I think what you seem to be suggesting to people is that the answer is ultimately -- is them; it is their process. It's not to be found through any of these other offerings necessarily, although they can sometimes be helpful.
ISANAMADA: Yes. And I will say that the transformational process, as we all know, takes place from inside out; it's an -- what do they say? -- an inside job, and all that. However, I feel that the universe itself is so intimately involved in the transformation of our species at this time, and that all the blessings of all the teachings being given in a supermarket fashion, in a supermarket society, that it's really perfect -- you know, it's the way that our society will assimilate, somehow, the teachings. It's like we're being spoon-fed, and we're being given it through intravenous feedings. It's like it's coming at us every way, every which way, toward the society that is awakening even though it doesn't know it is. And I know for myself, from the time that I had the first moment, that books began to fall off the shelves or show up somehow, and those books, I held onto them. They were my lifeline, you know. And when I would go and sit in front of a teacher, even though I might not understand exactly what he or she was talking about, somehow it fed me and strengthened me and gave me hope about something that I didn't even understand that was going on inside me. It made me feel somehow OK for twenty-four hours.
MISHLOVE: We began talking about Self-expression, and I get the sense from your book, A Call to Greatness, that regardless of what disciplines a person may engage in, or what teachers a person may seek in trying to understand their own awakening, probably the greatest tool is that they speak truthfully about what is happening.
ISANAMADA: Yes, yes, yes. And I feel that yes, to what you said; but I feel that people actually must be taught, and that they can learn it very fast -- how to retune themselves to get in touch with that intuitional level, to begin to be able to read themselves. They can't read themselves. They need to be able to read themselves. When they're able to do that, then they can begin to speak the truth of themselves, rather than to come from the level of opinion.
MISHLOVE: You say it's easily taught.
ISANAMADA: It's easily learned, it's easily learned. I feel that we're so ready as a society, we're so ready to become the truth. In fact I say in the book that my experience of it is that we're so ready that it seems amazing that it hasn't already happened -- that we've ever been incongruent.
MISHLOVE: That we've ever been --
ISANAMADA: That we've ever been incongruent -- that's how ready we are.
MISHLOVE: Well, we have less than two minutes now. I wonder if we could leave this segment with a message to our audience about how do we learn, for people who are still struggling. Is there something you can -- ?
ISANAMADA: Well, I feel most necessary is the point at which we realize that we are imprisoned in our own emotions and in our own mind -- that we must be aware that we are captive, we have been captured in a lower level of mind than is the truth of ourselves. Once we can acknowledge that, then we're ready to begin to learn, and we begin by learning what's holding us captive, and learning to read the human emotional response, and to be able to observe how the ego is showing up in our very own lives -- not in just other people, but how it's running our life -- and how to begin to make the higher choice consciously. It's bringing consciousness to what has been unconscious before.
MISHLOVE: And this for you is really the essence of Self-expression.
ISANAMADA: This is the foundation on which Self-expression stands.
MISHLOVE: IsanaMada, thank you so much for sharing this.
ISANAMADA: Thank you.
MISHLOVE: I can see that these are truths that you've wrought out of the cauldron of your own growth, and indeed they're very valued. Thank you for being with me.
ISANAMADA: Thank you so much for inviting me.
ISANAMADA: Thank you, Jeffrey.
MISHLOVE: It's a pleasure to be with you.
ISANAMADA: I'm very happy to be here.
MISHLOVE: When we think of self-expression, I'm of the opinion, as I look at your work, that your belief is that there is vast greatness, even glory, within each of us, and we hide ourselves from it sometimes by not being congruent or honest or fully truthful about who we are when we express ourselves in the world.
ISANAMADA: Yes. I think I would feel more comfortable talking about it not so much as hiding it from ourselves, but that we have lost touch with it, that at least the modern human being in the Western world has become distracted by many things, and has just lost touch with that aspect of themselves, that part of the self, that level of their being, that is the truth of themselves, and instead have been living out of a surface level, a personality level, a lower-mind level of being that is not satisfying, that's not fulfilling, that is not truly an expression of who we are.
MISHLOVE: I know you actually quote one writer -- I believe it's the Tibetan lama Sogyal Rinpoche -- who marvels at the great ability of modern culture to fascinate us with distractions that lead us away from ourselves.
ISANAMADA: Yes. And he condemns that, and I think that we all can condemn that without feeling bad about condemning it. But also Sogyal Rinpoche stands for something; he doesn't just stand against that. He stands for the truth of ourselves and our ability to begin to understand ourselves in life and in death.
MISHLOVE: In your works you draw upon the teachings of Sogyal Rinpoche, just to mention one among many, and it gave me the sense of optimism in spite of this cultural numbness, if I could call it that, because it seems as if we live in an age where there are more and more teachers of wisdom, teachers of enlightenment -- that it is being spoken of more and more. I can say that I have had the privilege of interviewing many such people, including yourself now, and that this is becoming in some sense the birthright of all people.
ISANAMADA: Yes. Well, I think it always has been. I feel it always has been the birthright of all people, but that we are in a very special time now; we are in an unprecedented epoch of human history, and that epoch is marked by exactly what you're talking about -- the fact that enlightenment, that an evolutional leap, is available to the ordinary human being, and that the ordinary human being is so supported, is so blessed with wisdom at every turn, but is so distracted, and I think more than anything confused, more than numb. I feel that our culture is confused. Our culture has become unable to make correct distinctions about what is lawful and what is not lawful in terms of being human, and that our spiritual leaders, our wisdom teachers, those people who have by grace experienced a perception that is transcendent to the ordinary way of perceiving things, that their duty and their blessing at this time is to help the culture, the individual human beings of the culture, to be able to see differently, to be able to translate what's going on in the world, and in their very own lives and their own processes that are very dynamic and very obviously unfolding, you see. But the people don't understand that they are awakening. They don't understand that they are awakening. They know something's happening, but they're not able to understand and translate what's happening as them, as their very own selves, and as the people they know and as the culture itself.
MISHLOVE: You used the term earlier, lawful.
ISANAMADA: Yes.
MISHLOVE: I wonder if you could amplify. I was confused about,"We don't understand what's lawful and what is not lawful," I think you said in terms of our human nature.
ISANAMADA: Yes, and when I use the word lawful, I take that from other very high teachings. I have been given that in my own research and my own study over the years, and that Lawful is with a capital L. Supposedly the word Lord translates to Law, and so the capital Lawful means that there is a truth that abides in us, that is transcendent -- the Lord is a transcendent state of being -- and that Lawfulness is a transcendent Law that is a part of our own genetic makeup, our own psychological and biological makeup, that's a part of our humanity, and that we have lost touch with that, that over time, while other important things were being put in place in our preparation for the next evolutionary leap, we've lost touch with that intuitional level.ÿÿWe have failed to intuit the laws of the universe in our own course of action.
MISHLOVE: It seems as if you look at the religions of the planet now -- they all have a sense of "This is God's law; these are the rules you must obey." And of course they're all different from one another, which makes one suspect that they may be relative, rather than some kind of fundamental law. And I gather you're referring to fundamental law here.
ISANAMADA: Yes, I'm really referring to universal Principle, with a capital P, not to personal opinion. What I feel we need also is a very strong dose of humility. I find it very presumptuous of any human being, including myself, any of us, to appear on earth and to live a short lifetime, and in that lifetime to presume that our opinions about anything should hold any weight, and that we should live out of opinions, which are acculturated; they're really somebody else's opinions that we have taken on. They're not even our own true thoughts about things, you see. They're prejudices. And so our society, and our societies, have been living out of arrogant people's opinions, or people's arrogant opinions about themselves, about others, about the way things should be in their societies and their families and their friendships and their relationships. It's like we have made a terrible mess by living out of our prejudicial opinions, and we must go deeper, we must go wider, and we must go higher than that if we are to match the evolutionary process that is sweeping us along, you see.
MISHLOVE: I'm under the impression from your writings that your work is grounded in what people sometimes call the perennial tradition, the primordial tradition -- that is, the spiritual wisdom that seems to come from the great mystics and teachers of all cultures and almost all ages.
ISANAMADA: Yes. Yes, that's true.
MISHLOVE: That when you talk about Principle, with a capital P, you're referring to something along those lines.
ISANAMADA: Yes. And bridging back to what you were talking about earlier in your question, you were saying so many different religions or groups or whatever have very strong opinions about what the law is, what the basic teachings are. I feel that these years we really must be able at least to see that we've got to stop arguing about who's right and who's wrong. And I guess a very important part of the work that I have brought forth as the Call to Greatness, the teachings of the course in congruence, is that the ego, which is a stage-specific phase of our evolutionary process, the ego holds itself separate and right, and when we move beyond that stage of evolution, when we transcend it in truth, we realize that there is no right, or that it's all right, and that what we must do is make the highest choice, given that everything is right.
MISHLOVE: You mentioned the ego.
ISANAMADA: And that's getting too abstract.
MISHLOVE: Well, we'll come around again. It is abstract, but sometimes these abstract truths are quite profound, and while they may be difficult to grasp, I think if we try and approach it from a few different angles we'll be able to illuminate the question. And so what I'd like to go back to is the word you used, the ego. You know, we banter it around so easily in our conversation. I think it possibly means different things to different people, and I suspect you're using it in a very particular way that I'd like you to amplify.
ISANAMADA: All right. Well, I feel because I was a seeker, of understanding at least -- trying to figure my life out when I was a young woman and growing up and a middle-aged woman -- I did a lot of reading and taking courses and trying to figure it all out, how to do it. And what I realized, that in the last thirty years a lot of information about the ego has been given to our Western culture, to our Western society, but there's a lot of confusion about what that ego is.
MISHLOVE: There's a whole branch of psychology called ego psychology.
ISANAMADA: Really! I didn't know that.
MISHLOVE: Part of psychoanalysis generally.
ISANAMADA: All right. So anyway, even having read so much about the ego myself, having spoken to a lot of people who talked about the ego this way and that, I in a very inspired moment was given a picture of what the ego is, and a very simple explanation of it as a mechanism, as a psychological mechanism that is a vital part of our humanity. And so I have drawn that, and I have taught that very simple model of the ego to many people over the last nine years. Very basically, the ego is our past; it's an accumulation of experiences that we have had, and conclusions we have drawn based on those experiences. But it's also -- the kind of mechanism that it is, the function that it is psychologically, causes us to feel separate as an egoic being. And it causes us to reflect very clearly into the past and have a very difficult time seeing what's going on right here in the present moment.
MISHLOVE: So if I were to paraphrase you, I might say that you're defining the ego as the part of ourselves that we typically identify with based on our life history.
ISANAMADA: Yes.
MISHLOVE: And you're suggesting that we limit ourselves when we do that.
ISANAMADA: Well, the ego is the limitation. It's very difficult even to talk about this, because we have identified ourselves as like we actually have no identity except the ego. It's like the ego is our identity, and yet it is not us. It's not who we are. But we have been made to believe that's who we are. We are so much more than that.
MISHLOVE: And our self-expression, the way you speak of self-expression, is so much more than that.
ISANAMADA: Yes. And of course the way I speak about Self-expression is with a capital S. There is the lower self, which is the ordinary personality, the lower mind, the ego self, which is a very important -- in fact we couldn't be here, we couldn't experience life in this realm, in the third dimension, without our wonderful ego function.
MISHLOVE: Self with a small s.
ISANAMADA: With a small s. But the ego is only to allow us to be here and to become transcendent to that littleness, and to become the greatness that we really are, here in our human life -- to become more fully human as that greater Self.
MISHLOVE: You used the word intuition earlier in terms of accessing Principle, with a capital P, and I suspect that it's through our intuition, our inner knowing, that we also access our Self, with a capital S.
ISANAMADA: Well, I say that our inner Self is our capital Self.
MISHLOVE: I see.
ISANAMADA: I say that our outer self is just a shell, and it's a surface veneer, and just behind that, or just under that, or just over that, or around it, or whatever, is this glorious reality that is the truth of us. It is the Self-expression that is demanding to be made.
MISHLOVE: And I have to say you write about it very eloquently and poetically, suggesting that the very birth of the universe is part of who we are, and the death of the universe is within us, and the great truths of existence itself, and purpose and destiny -- these are part of our real inner being.
ISANAMADA: Yes. And I guess I would even say that they're not a part of us, they are us. It's like we are a part of them. We are an integral part of that great wholeness, and all of the dynamics of creation are the dynamics of us. All of the laws of the universe are the laws of us. All of the expressions and the creation is us, it's who we are; like we're so much more than we have assumed. We are so much more than we have ever been ready to be before. And my premise is, and my true feeling is, that we are ready now, we are truly ready, to embody and be great, really. And I also am feeling that many people who are awakening these days do not understand what's happening with them, in them, as them, and that part of my work to do is to tell them, "You're awakening, and this is what awakening means, and this is what we do about it."
MISHLOVE: You went through an extraordinary transformation of your own, and I believe in your book More Than Me you write about it as an event that really took place in 1984, and that left you a very, very different person. Not everybody awakens in such a dramatic fashion.
ISANAMADA: Yes, and I will say that the awakening began in 1984, and of course it continues. But the drama of the first year and nine months, year and ten months,ÿwas devastating, at the same time that it was the most wondrous and loving and comfortable experience. It was all of that at the same time. I had no idea what was happening to me, and no one seemed to be able to tell me, but I began to ask questions that I had never asked before, and even though I couldn't get the answers in my outer world, there was an experience going on inside of me that said, "I know something that I don't know," and I just kept honoring that as my world fell apart, my life completely fell apart around me, and over time I lost everything, including all of the people who were most dear to me -- family, my long-term lover, all of my possessions. I lost my whole life, and realized after the summer of 1985 that I had actually lost myself, and that I began to experience myself as a completely different identity, but not in a weird way. I was just completely changed.
MISHLOVE: When you speak of people awakening today and not really knowing what's happening to them, I guess you can say that because in a sense you've been there.
ISANAMADA: Yes. Yes, because I was there, and really reaching out to try to find help and understanding, because I was in different periods very aware that I was close to losing my mind, close to losing my sanity. I was going through a very dark, dark night of the soul and didn't know it. But anyhow, I learned about that afterward, and then also because I've been standing in front of and sitting with people now for all these years in doing my work that I have been called to do, and I see the tremendous gap between what's going on with these people and their ability to understand it, you see.
MISHLOVE: Well, many people go through spiritual crises, and they don't have a support system. They're not in touch with the perennial wisdom.
ISANAMADA: Yes.
MISHLOVE: I suppose one of the dangers today is that we live in an era of-- you might call it a spiritual supermarket, where you can take your pick of thirty or forty different kinds of meditations, and how many different styles of physical exercise, and yoga, and people offering you truths of their own making, from every street corner, practically. And I think what you seem to be suggesting to people is that the answer is ultimately -- is them; it is their process. It's not to be found through any of these other offerings necessarily, although they can sometimes be helpful.
ISANAMADA: Yes. And I will say that the transformational process, as we all know, takes place from inside out; it's an -- what do they say? -- an inside job, and all that. However, I feel that the universe itself is so intimately involved in the transformation of our species at this time, and that all the blessings of all the teachings being given in a supermarket fashion, in a supermarket society, that it's really perfect -- you know, it's the way that our society will assimilate, somehow, the teachings. It's like we're being spoon-fed, and we're being given it through intravenous feedings. It's like it's coming at us every way, every which way, toward the society that is awakening even though it doesn't know it is. And I know for myself, from the time that I had the first moment, that books began to fall off the shelves or show up somehow, and those books, I held onto them. They were my lifeline, you know. And when I would go and sit in front of a teacher, even though I might not understand exactly what he or she was talking about, somehow it fed me and strengthened me and gave me hope about something that I didn't even understand that was going on inside me. It made me feel somehow OK for twenty-four hours.
MISHLOVE: We began talking about Self-expression, and I get the sense from your book, A Call to Greatness, that regardless of what disciplines a person may engage in, or what teachers a person may seek in trying to understand their own awakening, probably the greatest tool is that they speak truthfully about what is happening.
ISANAMADA: Yes, yes, yes. And I feel that yes, to what you said; but I feel that people actually must be taught, and that they can learn it very fast -- how to retune themselves to get in touch with that intuitional level, to begin to be able to read themselves. They can't read themselves. They need to be able to read themselves. When they're able to do that, then they can begin to speak the truth of themselves, rather than to come from the level of opinion.
MISHLOVE: You say it's easily taught.
ISANAMADA: It's easily learned, it's easily learned. I feel that we're so ready as a society, we're so ready to become the truth. In fact I say in the book that my experience of it is that we're so ready that it seems amazing that it hasn't already happened -- that we've ever been incongruent.
MISHLOVE: That we've ever been --
ISANAMADA: That we've ever been incongruent -- that's how ready we are.
MISHLOVE: Well, we have less than two minutes now. I wonder if we could leave this segment with a message to our audience about how do we learn, for people who are still struggling. Is there something you can -- ?
ISANAMADA: Well, I feel most necessary is the point at which we realize that we are imprisoned in our own emotions and in our own mind -- that we must be aware that we are captive, we have been captured in a lower level of mind than is the truth of ourselves. Once we can acknowledge that, then we're ready to begin to learn, and we begin by learning what's holding us captive, and learning to read the human emotional response, and to be able to observe how the ego is showing up in our very own lives -- not in just other people, but how it's running our life -- and how to begin to make the higher choice consciously. It's bringing consciousness to what has been unconscious before.
MISHLOVE: And this for you is really the essence of Self-expression.
ISANAMADA: This is the foundation on which Self-expression stands.
MISHLOVE: IsanaMada, thank you so much for sharing this.
ISANAMADA: Thank you.
MISHLOVE: I can see that these are truths that you've wrought out of the cauldron of your own growth, and indeed they're very valued. Thank you for being with me.
ISANAMADA: Thank you so much for inviting me.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Quando uma relação entra em crise, na verdade ela só está expondo os problemas sistêmicos encubados, que já existiam antes mesmo do casal se conhecer. Trazemos conosco tendências de emoções, pensamentos e comportamentos hereditários, e estas tendências ficam latentes, esperando só o momento para se manifestar.
Devido a elas – as emoções latentes, encontramos exatamente o tipo de parceiro ideal para que isso ocorra. Parece maldade do universo, certo? Mas não é… É exatamente o contrário: a natureza humana faz com que, ao manifestarmos esta “combustão” sistêmica, possamos limpá-las do nosso sistema familiar. Pois é, herdamos tendências a manifestar determinados comportamentos para que, ao trabalhá-los, eles não ocorram mais, e possamos deixar aos nossos filhos e netos a imunidade.
Não sei se isso parece estranho, mas é exatamente assim que ocorre a evolução biológica das espécies. Cada geração que vem, é mais forte que a anterior. Como todos percebem, os homens vivem cada dia mais anos – isso significa que ele se torna forte, a cada geração. E como ele se torna forte? Enfrentando todas as calamidades, doenças, epidemias que surgiram durante os séculos e séculos de existência humana. Somente os fracos sucumbem.
As emoções e pensamentos conflitantes, segundo a teoria sistêmica, também passam por esta depuração. E a linhagem familiar quer, no fundo, que seus descendentes sejam fortes, para que a linhagem se perpetue. Faz sentido, certo?
Mas vamos lá: o que tem a ver este papo de gerações mais fortes, emocionalmente, e as crises de relacionamento? Bem, como disse acima, a crise é uma oportunidade de ficarmos fortes emocionalmente. Para se resolver um problema emocional, é necessário olhar para ele. Quando surge uma briga, por mais que a razão diga coisas do tipo: você é insensível! Você me traiu! Você não liga para mim, só para os filhos! Você está com caso com outra! Você está uma balofa! No fundo, tudo isso é desculpa… O que a emoção está dizendo por detrás das acusações? Geralmente, coisas do tipo: quero ser visto… quero carinho… quero que você me abrace e não fale tanto… quero compartilhar…
A busca do ser visto e acolhido é sistêmico. Todos nós temos esta necessidade, e isso é herdado do sistema familiar. Quando não sabemos lidar com esta necessidade, queremos que o parceiro faça isso por nós. E como atraímos exatamente o tipo de parceiro que precisamos para depurar nossas emoções, ele também quer o mesmo de nós. O que acontece quando duas crianças querem o mesmo doce? Podem brigar… ou dividir… Se um deixar a sua parte para o outro, desculpe-me a expressão, mas está ferrado. Porque quem deu a sua parte, permanece com a carência. E o outro, inconscientemente, assume o papel de culpado, porque recebeu mais do que merecia. É… as regras sistêmicas são muito diferentes que as “crenças sociais” sobre relacionamento.
Por isso, vou falar sobre dicas sistêmicas para salvar crises no relacionamento:
1 – um parceiro deve reconhecer que o outro tem raízes diferentes. Deve respeitar e amar a família do outro, sinceramente, pois os problemas originam-se nas raízes;
2 – um parceiro deve cuidar das suas raízes. Só pode resolver os problemas que tem a ver consigo. Não tem nada a ver com o outro, nem deve cobrá-lo. Isso quer dizer: problema no casamento significa curar as próprias mágoas que se tem do papai e da mamãe;
3 – um homem e um mulher tem o mesmo valor e validade. A família de cada um tem o mesmo valor e validade;
4 – um parceiro deve dar e receber na mesma medida. Se quer dar, mais que receber, há crise. Se quer receber, mais que dar, há crise;
5 – no amor familiar, há uma hierarquia. O relacionamento do casal é o mais importante. Depois, vem os filhos. Dar mais atenção aos filhos que ao relacionamento do casal, indica problemas sistêmicos que detonam em crise;
6 – os filhos são felizes quando os pais amam-se mutuamente. Cuidar dos filhos significa, em primeiro lugar, cuidar da boa relação entre o casal.
7 – quando se está em segundo ou terceiro casamento, o parceiro deve reconhecer que os filhos do outro na relação anterior tem prioridade. Deve reconhecer que a ex-esposa ou ex-marido tem prioridade. A segunda mulher será sempre a segunda. O segundo marido será sempre o segundo. Sistemicamente, é assim, e esse reconhecimento restabelece o equilíbrio.
8 – para os filhos, a madrasta ou padrasto estão sempre em segundo lugar, do que o pai ou a mãe biológica. E isso não importa se a relação com os progenitores é boa ou não. Padrasto é o segundo pai. Madrasta é a segunda mãe. Só isso.
9 – quando nasce um filho numa relação extra-conjugal, a relação original está acabada.
10 – o sistema familiar impele seus membros à procriar. Significa que os pais deram continuidade à vida. Num relacionamento sem filhos, não há como a vida ser transmitida para frente, e então, este fato deve ser compensado com a dedicação a um todo maior, seja profissionalmente, espiritualmente, dedicando-se às artes, ou outra forma de expressão de vida.
11 – longos relacionamentos sem casamento, ou seja, o compromisso de ficar juntos, seja isso oficial ou não, significa que o parceiro está passando a mensagem ao outro: você não é bom o suficiente para mim. E vice-e-versa.
12 – a fidelidade baseada na idéia: eu sou a única pessoa boa para você, e portanto, você é só meu, está contaminado com questões sistêmicas. Um casal ajustado é fiel, até o momento que tiver que ser.
13 – não existe perdão no relacionamento. Quem perdoa, se coloca em posição superior ao outro. E quem pede perdão, joga toda a responsabilidade da sua culpa ao outro. A solução para um erro é dizer: fiz isso. Sinto muito. Com sinceridade. O único perdão válido é o mútuo: eu lhe feri. Você me feriu. Vamos nos perdoar e recomeçar…
14 – encontrar um parceiro ideal significa estar consciente e equilibrado com as próprias emoções sistêmicas, permitindo encontrar alguém igualmente equilibrado e consciente.
Devido a elas – as emoções latentes, encontramos exatamente o tipo de parceiro ideal para que isso ocorra. Parece maldade do universo, certo? Mas não é… É exatamente o contrário: a natureza humana faz com que, ao manifestarmos esta “combustão” sistêmica, possamos limpá-las do nosso sistema familiar. Pois é, herdamos tendências a manifestar determinados comportamentos para que, ao trabalhá-los, eles não ocorram mais, e possamos deixar aos nossos filhos e netos a imunidade.
Não sei se isso parece estranho, mas é exatamente assim que ocorre a evolução biológica das espécies. Cada geração que vem, é mais forte que a anterior. Como todos percebem, os homens vivem cada dia mais anos – isso significa que ele se torna forte, a cada geração. E como ele se torna forte? Enfrentando todas as calamidades, doenças, epidemias que surgiram durante os séculos e séculos de existência humana. Somente os fracos sucumbem.
As emoções e pensamentos conflitantes, segundo a teoria sistêmica, também passam por esta depuração. E a linhagem familiar quer, no fundo, que seus descendentes sejam fortes, para que a linhagem se perpetue. Faz sentido, certo?
Mas vamos lá: o que tem a ver este papo de gerações mais fortes, emocionalmente, e as crises de relacionamento? Bem, como disse acima, a crise é uma oportunidade de ficarmos fortes emocionalmente. Para se resolver um problema emocional, é necessário olhar para ele. Quando surge uma briga, por mais que a razão diga coisas do tipo: você é insensível! Você me traiu! Você não liga para mim, só para os filhos! Você está com caso com outra! Você está uma balofa! No fundo, tudo isso é desculpa… O que a emoção está dizendo por detrás das acusações? Geralmente, coisas do tipo: quero ser visto… quero carinho… quero que você me abrace e não fale tanto… quero compartilhar…
A busca do ser visto e acolhido é sistêmico. Todos nós temos esta necessidade, e isso é herdado do sistema familiar. Quando não sabemos lidar com esta necessidade, queremos que o parceiro faça isso por nós. E como atraímos exatamente o tipo de parceiro que precisamos para depurar nossas emoções, ele também quer o mesmo de nós. O que acontece quando duas crianças querem o mesmo doce? Podem brigar… ou dividir… Se um deixar a sua parte para o outro, desculpe-me a expressão, mas está ferrado. Porque quem deu a sua parte, permanece com a carência. E o outro, inconscientemente, assume o papel de culpado, porque recebeu mais do que merecia. É… as regras sistêmicas são muito diferentes que as “crenças sociais” sobre relacionamento.
Por isso, vou falar sobre dicas sistêmicas para salvar crises no relacionamento:
1 – um parceiro deve reconhecer que o outro tem raízes diferentes. Deve respeitar e amar a família do outro, sinceramente, pois os problemas originam-se nas raízes;
2 – um parceiro deve cuidar das suas raízes. Só pode resolver os problemas que tem a ver consigo. Não tem nada a ver com o outro, nem deve cobrá-lo. Isso quer dizer: problema no casamento significa curar as próprias mágoas que se tem do papai e da mamãe;
3 – um homem e um mulher tem o mesmo valor e validade. A família de cada um tem o mesmo valor e validade;
4 – um parceiro deve dar e receber na mesma medida. Se quer dar, mais que receber, há crise. Se quer receber, mais que dar, há crise;
5 – no amor familiar, há uma hierarquia. O relacionamento do casal é o mais importante. Depois, vem os filhos. Dar mais atenção aos filhos que ao relacionamento do casal, indica problemas sistêmicos que detonam em crise;
6 – os filhos são felizes quando os pais amam-se mutuamente. Cuidar dos filhos significa, em primeiro lugar, cuidar da boa relação entre o casal.
7 – quando se está em segundo ou terceiro casamento, o parceiro deve reconhecer que os filhos do outro na relação anterior tem prioridade. Deve reconhecer que a ex-esposa ou ex-marido tem prioridade. A segunda mulher será sempre a segunda. O segundo marido será sempre o segundo. Sistemicamente, é assim, e esse reconhecimento restabelece o equilíbrio.
8 – para os filhos, a madrasta ou padrasto estão sempre em segundo lugar, do que o pai ou a mãe biológica. E isso não importa se a relação com os progenitores é boa ou não. Padrasto é o segundo pai. Madrasta é a segunda mãe. Só isso.
9 – quando nasce um filho numa relação extra-conjugal, a relação original está acabada.
10 – o sistema familiar impele seus membros à procriar. Significa que os pais deram continuidade à vida. Num relacionamento sem filhos, não há como a vida ser transmitida para frente, e então, este fato deve ser compensado com a dedicação a um todo maior, seja profissionalmente, espiritualmente, dedicando-se às artes, ou outra forma de expressão de vida.
11 – longos relacionamentos sem casamento, ou seja, o compromisso de ficar juntos, seja isso oficial ou não, significa que o parceiro está passando a mensagem ao outro: você não é bom o suficiente para mim. E vice-e-versa.
12 – a fidelidade baseada na idéia: eu sou a única pessoa boa para você, e portanto, você é só meu, está contaminado com questões sistêmicas. Um casal ajustado é fiel, até o momento que tiver que ser.
13 – não existe perdão no relacionamento. Quem perdoa, se coloca em posição superior ao outro. E quem pede perdão, joga toda a responsabilidade da sua culpa ao outro. A solução para um erro é dizer: fiz isso. Sinto muito. Com sinceridade. O único perdão válido é o mútuo: eu lhe feri. Você me feriu. Vamos nos perdoar e recomeçar…
14 – encontrar um parceiro ideal significa estar consciente e equilibrado com as próprias emoções sistêmicas, permitindo encontrar alguém igualmente equilibrado e consciente.
Caminhos para os casais
Escrito por Jakob R. Schneider
Caminhos na terapia de casal
Jakob Robert Schneider(*)
As constelações familiares também funcionam sempre como terapia de casal. Juntamente com os processos entre pais e filhos, a relação entre o homem e a mulher é o coração da Psicoterapia. É bem verdade que, nos chamados “movimentos da alma”, nosso horizonte se estendeu para além da constelação familiar, abrangendo nossa inserção em contextos existenciais mais amplos: a relação entre vivos e mortos e entre agressores e vítimas, a guerra, conflitos de nacionalidades e religiões. Não obstante, as constelações voltam sempre a afetar em seus efeitos a relação conjugal e as relações familiares.
O sucesso do amor entre o homem e a mulher talvez seja o nosso anseio mais profundo, e o fracasso desse amor faz parte de nossos medos e sofrimentos mais profundos. Surpreende-me sempre constatar que a pressão pelo sucesso das constelações nos grupos para casais é muito maior do que nos seminários para pessoas doentes, onde freqüentemente se trata de vida e de morte. No aconselhamento de casais percebe-se também, de modo especial, uma alta expectativa dirigida ao terapeuta ou ao aconselhador. Pois trata-se de decisões sobre o prosseguimento da vida em comum e das conseqüências que acarretam para os parceiros, os filhos e as bases materiais da vida. Trata-se também das mágoas e dos medos associados ao amor, onde somos ainda mais vulneráveis do que no tocante à nossa integridade física.
Na seqüência, abrirei uma perspectiva de conjunto sobre os caminhos da terapia de casal, a partir da experiência com as constelações familiares e do trabalho com os fatores que as condicionam.
Pressupostos para o bom êxito de uma terapia de casal
Os casais procuram ajuda em suas necessidades, mas freqüentemente com idéias que estragarão qualquer ajuda se forem acolhidas pelo terapeuta. O denominador comum dessas idéias é o abandono da responsabilidade pelo sucesso do aconselhamento. Neste particular, a fantasia usual de um ou de ambos os parceiros é que algo se deteriorou em seu relacionamento e que cabe ao terapeuta, como perito e especialista, repará-lo em sua “oficina”. Ou então o casal procura um juiz para resolver o seu caso, alguém que ouça os argumentos das ambas as partes e dê o seu justo veredicto. Alguns buscam no terapeuta, de um modo mais pessoal, uma autoridade cheia de amor que, à maneira de um aliado, um pai ou uma mãe, saiba o que se deve fazer e se imponha ao outro parceiro.
Conflitos de casal assumem freqüentemente a forma de um desacordo em decisões relevantes, onde cada um procura mudar o outro para que se ajuste a sua experiência de vida, a seus desejos e convicções. Como, apesar de intensos esforços, não lhe bastou para isso a força de sua persuasão, ele transmite ao terapeuta, de forma aberta ou velada, o seu real desejo: “Convença-o você, eu não consigo”. Mormente no atendimento individual, quando apenas um dos parceiros procura conselho, transparece este apelo: “Meu parceiro não me dá o que preciso, não me dá atenção, não está disponível para mim. Por favor, dê-me atenção, esteja disponível para mim, seja para mim uma pessoa familiar e confiável”. Assim, o terapeuta é solicitado a preencher uma lacuna para a satisfação das necessidades infantis ou conjugais do cliente.
A montagem da constelação familiar, em sessão de grupo ou na consulta individual, com a preservação da atitude fenomenológica que fundamenta esse trabalho, ajuda o terapeuta a não acolher esses desejos com a intenção de ajudar o casal. Em vez disso, ele deve manter a atitude imprescindível para se alcançar uma solução. Ele entra em sintonia com a alma ou com o campo de relacionamento do casal. Acompanha a vibração do sistema do relacionamento, através da constelação ou de outro método que lhe permita ver e entrar em contato. E faz com que se manifeste, através daquilo que se mostra, algo que seja importante para o casal e o faça avançar. O terapeuta apenas transmite uma indicação ou um conselho essencial, e depois se retira. Não acompanha o processo do casal até a solução. No máximo, comporta-se como um navegador experimentado que, de acordo com o objetivo do casal, indica o caminho ou mesmo assume o comando em seu trecho inicial.
Terapeutas não são mecânicos, juizes, correligionários, pais ou familiares. Um aconselhamento de casal não tem por função modificar a personalidade dos parceiros. Ele permanece sempre incompleto e visa apenas o que é exigido para o próximo passo. Permanecem com o casal o objetivo e o caminho da solução, bem como a responsabilidade e a força para resolver o problema. Assim se preserva a dignidade do casal, bem como a do terapeuta.
O que o aconselhador pode fazer de mais importante pelo casal em sua necessidade, antes mesmo de abrir-lhe uma nova perspectiva sobre sua mútua relação, é interromper os padrões que impedem e destroem o relacionamento. Da mesma forma como recusa acolher as idéias dos parceiros sobre a maneira de ajudá-los, ele interrompe rapidamente os padrões de pensamento e de comportamento que são parte do problema e não trouxeram ajuda até o momento. As constelações familiares, seja em grupo ou em sessões individuais, são uma grande ajuda metódica, já pelo simples fato de que afastam imediatamente os parceiros de discursos estereotipados sobre o relacionamento, levando-os a um olhar conjunto sobre a constelação e, consequentemente, sobre os movimentos mais profundos que fazem progredir o seu relacionamento.
Soluções com vistas às ocorrências dentro do relacionamento do casal
A atenção do aconselhador ou do terapeuta deve se voltar inicialmente para o que ocorreu na história do casal, investigando o que aconteceu por obra do destino ou por responsabilidade pessoal de um ou de ambos os parceiros e os levou aos limites de seu relacionamento. Cito aqui alguns pontos mais importantes, com breves exemplos.
Vínculos anteriores não honrados
Relacionamentos anteriores que criaram vínculo através de um profundo e marcante exercício da sexualidade e foram desfeitos com mágoas ou sentimentos de culpa, pelo menos de um dos parceiros, interferem nas relações ulteriores. Quando o amor, a dor e o preço pago na ligação anterior não são honrados no novo relacionamento, isso não apenas induz filhos dos novos relacionamentos a representar ex-parceiros dos pais que não foram devidamente respeitados, como também impede, muitas vezes, os novos parceiros de assumir sua relação, pelo preço que custou aos parceiros anteriores. O ciúme, por exemplo, é uma forma inconsciente de lealdade a uma ligação anterior do parceiro. Quando um homem abandona sem necessidade sua mulher para viver com uma amante, o ciúme desta freqüentemente destrói a nova ligação. Ela não consegue assumir a relação pelo preço que custou à parceira anterior, e torna-se igual a ela no medo de perder o homem para uma outra mulher.
As ligações anteriores são muitas vezes esquecidas, reprimidas ou não reconhecidas em seus efeitos posteriores. Um homem se queixou de que, depois de dois casamentos e de um terceiro relacionamento mais longo, apaixonara-se de novo, mas a mulher não queria casar-se com ele. Em sua constelação verificou-se que todas as mulheres estavam zangadas com ele, inclusive as duas filhas de seu primeiro matrimônio. Só após um persistente interrogatório ele revelou, com um gesto depreciativo da mão, que aos 17 anos tivera um amor de juventude com intenso envolvimento sexual e que, pouco depois de ter-se separado dessa moça, ela foi internada numa clínica psiquiátrica. Uma representante dessa mulher foi então incluída na constelação. Ela chorou amargamente e todas as outras mulheres tinham lágrimas nos olhos. Somente quanto o homem a encarou como seu amor de juventude, falou-lhe como a sua primeira mulher, mostrou compaixão com seu destino e a abraçou de novo com amor é que ela ficou tranqüila e sorriu. As outras mulheres também abriram sorrisos e a última delas disse: “Agora já posso pensar em casar-me com ele”. E, de fato, os dois se casaram depois.
Ocorrências traumáticas no relacionamento conjugal
Entre as ocorrências que atuam como graves ofensas na relação de um casal e com freqüência acarretam a separação, porque o destino não pode ser carregado em comum, enumeram-se: filhos prematuramente falecidos, abortos provocados, abortos espontâneos em grande número, ausência de filhos, sexualidade deficiente, doenças graves, acidentes, culpa real ou imaginária em relação ao parceiro ou a outras pessoas, ameaça às bases da existência e graves ameaças à integridade do corpo ou da alma. Com a ajuda de uma constelação é possível conjurar forças que possibilitem aos parceiros a superação conjunta do evento traumático, reforçando o vínculo ou então levando-os a aceitar o fato de que já não podem assumir em comum o destino ou a responsabilidade.
Uma mulher procurou um grupo porque buscava um caminho para dissolver o “profundo mutismo” que havia entre ela e o marido. A constelação de sua família atual mostrou realmente que havia um abismo entre o casal, o que fez com que a atenção se desviasse imediatamente dos filhos para os pais. Perguntada sobre que fatores de separação houvera entre ela e o marido, a mulher logo disse que tinha havido ainda uma quarta criança, bem mais nova, fruto de uma noitada, que eles decidiram abortar. Foi colocado um representante para essa criança, que sentou no chão, entre os pais. Os representantes dos pais olharam imediatamente para a criança, colocaram-se juntos atrás dela, puseram espontaneamente as mãos sobre sua cabeça, olhavam alternadamente para a criança e entre si e deixaram silenciosamente correr suas lágrimas. A mulher que colocara sua família estava sentada na roda e também chorava em silêncio. Os representantes dos filhos deram um passo para trás, afastando-se dos pais, e simplesmente ficaram olhando. Terminada a constelação, a mulher agradeceu e disse que ela tinha salvado a sua vida. Admirado, o terapeuta lhe perguntou o que ela queria dizer com isso. Ela respondeu: “Pouco depois do aborto apanhei um grave reumatismo e imediatamente reconheci que esta era a minha forma de expiar pelo aborto”. No dia seguinte, ela contou que, na noite do próprio dia da constelação, seu marido regressou de uma longa viagem de negócios e ela lhe contou o que se passara. Então ele se sentou no sofá, chorou muito e disse: “Eu sempre me senti muito culpado”. E passaram toda a noite conversando.
Num grupo de constelação familiar, um homem manifestou, como seu problema, que sua mulher se esquivava dele e tratava sem amor a filha e um filho mongolóide, que estava internado num asilo. Na constelação, a mulher realmente se mostrou isolada e totalmente fria. Os três filhos – pois tinha havido um outro filho mongolóide, o mais novo, falecido aos quatro anos de idade– se distanciaram dos pais, afastando-se, e a filha se colocou entre a mãe e os irmãos, como se quisesse protegê-los. O terapeuta perguntou então ao homem se tinha havido recriminações pelos filhos que nasceram mongolóides. O homem engoliu em seco e disse: “Sim, meus pais fizeram graves acusações à minha mulher, dizendo que ela trouxera da família uma péssima herança genética e jamais deveria ter-se casado comigo. E eu defendi meus pais e suas acusações”. Então o terapeuta colocou esse homem diante da representante de sua mulher e pediu aos dois que se olhassem demoradamente, realmente encarando-se. Isso entretanto era visivelmente difícil para eles. Finalmente o homem conseguiu dizer à mulher: “Sinto muito. Coloquei em você todo o peso do destino de nossos filhos doentes. Juntamente com meus pais, responsabilizei você e sua família e a magoei muito. Se você ainda puder aceitar isto, estou disposto agora a retirar minha acusação e a carregar com responsabilidade e amor, junto com você, o destino de nossos filhos”. – Então a representante de sua mulher se lançou em seus braços e chorou por longo tempo. Em seguida ela o encarou amorosamente, caminhou para os filhos e os abraçou. Quando o pai se aproximou, por sua vez, e juntamente com sua mulher abraçou os filhos, eles finalmente aceitaram a proximidade da mãe.
Na terapia de casal e nas constelações que revelam a dinâmica dos relacionamentos verificamos portanto quais são os eventos que atuam como fatores de separação num relacionamento e que caminho se oferece ao casal no sentido de carregar algo em comum, restaurar a ligação, assumir a dor da perda e deixar que o passado seja passado. E verificamos como um casal pode lidar com tais eventos. Mesmo quando for inevitável a separação, os acontecimentos que separam podem, passado algum tempo, descansar em paz e a relação pode terminar com amor e dignidade.
A ordem confiável na família
Freqüentemente o amor entre o homem e a mulher é impedido por não serem reconhecidas as condições para o crescimento da relação. Neste caso, a constelação é útil para encontrar as formas de restabelecer a ordem no sistema.
Por exemplo, uma das condições mais importantes para o bom êxito do amor é que, no processo de dar e tomar, se volte sempre a alcançar uma compensação positiva. Quem toma, também deve dar; se ama, deveria dar um pouco mais do que recebeu. Assim, através do amor, a troca recíproca é estimulada no sentido de um alto investimento de vida. A isto chamamos felicidade. Mas essa felicidade é também difícil. Ela exige muita coisa dos parceiros, que então dificilmente podem separar-se. Às vezes, alguém já não consegue sustentar a troca crescente do dar e tomar, e talvez se sinta atraído por um outro parceiro, com quem possa trocar menos. Ou então minimiza com críticas o que recebe, para sentir-se menos obrigado.
A compensação entre o dar e o tomar funciona nos relacionamentos como uma lei natural. Se o desequilíbrio cresce demais, a relação não consegue suportá-lo. Se, por exemplo, a mulher custeou para o marido uma formação superior, sustentando-o, é freqüente que ele a deixe depois, porque a compensação se torna muito grande e difícil para ele. Quando um dos parceiros traz um grande peso em bens, relacionamentos anteriores, filhos, destino, caminho de vida, e o outro não pode contrapor-lhe nada de equivalente, isso pode destruir o relacionamento depois de algum tempo. A gratidão e o amor podem aliviar parte do desequilíbrio, mas muitas vezes é difícil.
Também as ofensas exigem compensação. Enquanto o parceiro ofendido quiser permanecer inocente não haverá possibilidade de compensação. Se, inversamente, o revide for tão grande que cause ao outro um sofrimento ainda maior, a relação entrará num círculo vicioso de brigas e ofensas recíprocas, que só conhecerá pausas pelo esgotamento e geralmente sobreviverá a uma separação. A solução, neste caso, é buscar a compensação através de uma zanga ou de uma exigência menos ofensiva, que respeite o parceiro e o convide a retomar o amor, dando-lhe a oportunidade de reparar algo amorosamente e de dar algo bom de um modo diferente.
Citarei aqui, de modo sucinto, outras formas das ordens do amor. A primeira é a primazia da relação do casal sobre o cuidado dos filhos – pois o cuidado dos pais pelos filhos aumenta com o amor recíproco entre os pais. Se este é sacrificado em benefício do cuidado com os filhos, isto separa os pais e os filhos não o aceitam, porque os pais pagam o preço em sua relação.
Já nos sistemas familiares complexos, onde existem filhos de relações anteriores, a ordem correta confere primazia ao cuidado pelos filhos dessas relações. Contudo, no que toca à relação entre o homem e a mulher, prevalece o novo sistema.
Naturalmente resultam conseqüências de peso para uma relação e para os filhos quando um parceiro que tem um filho de uma relação anterior silencia este fato e não provê a criança. Para além da ignorância do fato, isso pesa também sobre o relacionamento seguinte e os filhos subsequentes.
Obviamente, é muito importante que a relação do casal seja confiável como relação entre um homem e uma mulher. Por outras palavras, o homem deve ser e permanecer homem e a mulher deve ser e permanecer mulher. Os parceiros devem sentir necessidade e confiança mútua, sobretudo no que se refere à sexualidade e ao provimento das condições de vida.
Devemos considerar também outra ordem do relacionamento, fruto da percepção que Bert Hellinger exprime com esta frase: “A mulher deve seguir o homem (em sua família, em seu país, em sua cultura) e o homem deve servir ao feminino”.
Na terapia de casal devemos, portanto, ter em vista o que está em desequilíbrio na relação e como é possível restaurar uma troca positiva e aberta para o futuro, ou então conseguir uma compensação que possibilite uma boa separação. Verificamos, ainda, o que precisa ficar em ordem na relação, de modo que ela volte a ser vivida de uma forma confiável.
Soluções com vistas a acontecimentos e destinos nas famílias de origem
Talvez o aspecto mais importante na terapia conjugal seja a percepção dos envolvimentos dos parceiros nas respectivas famílias de origem. Esta é freqüentemente a zona menos perceptível para os parceiros e é aí que as constelações lhes fornecem o maior esclarecimento. De fato, a terapia de casal sempre levou em conta a interferência de necessidades infantis insatisfeitas e de traumas de infância. Entretanto, foi somente através das constelações familiares que foram percebidos, em toda a sua amplitude e em seus efeitos trágicos, os envolvimentos profundos dos parceiros em destinos que abrangem várias gerações e em temas familiares não resolvidos. A maioria dos problemas sérios de relacionamento nada tem a ver com o próprio casal e com seu amor recíproco. Cegamente absorvidos em conflitos não resolvidos, e muitas vezes inconscientes, de antepassados das famílias de origem, os parceiros carecem de compreensão e sensibilidade em seu relacionamento e projetam ou procuram resolver um no outro o que malogrou em seus antepassados por força do destino ou por responsabilidade pessoal.
Comportamento cego de ambos os parceiros com respeito a destinos e eventos anteriores
Num grupo para casais, um deles constelou o seu sistema atual. A mulher trouxera para o novo casamento um filho de um matrimônio anterior. Na nova relação, embora recente, já havia muita briga. Na constelação evidenciou-se que a mulher tinha muito pouca consideração pelo ex-marido e uma grande esperança de que o novo marido viesse a ser um pai melhor para a filha dela. A relação entre a mãe e a filha era muito estreita, e o marido atual se sentia estranho e olhava para fora. Nessa constelação, a filha assumiu e honrou seu pai. O marido atual ficou aliviado e encontrou um lugar ao lado de sua esposa. Parecia que a constelação tinha funcionado e trazido solução.
Entretanto, à noite o marido procurou o terapeuta. Disse que se sentia muito mal e que também não revelara o mais importante: que tinham sérios problemas no relacionamento sexual, onde ela fazia muitas exigências que ele não podia satisfazer. No dia seguinte, o terapeuta fez com que o marido montasse a constelação de seu sistema de origem. Ela evidenciou que o homem tinha uma estreita ligação com sua mãe e assumia junto dela o lugar do pai. O representante do pai olhava para fora do sistema, totalmente fascinado por algo terrível. Averiguou-se que, no decurso de uma longa fuga da prisão, que durou três anos, ele fuzilou um homem que lhe barrara o caminho. Na compreensão desse evento, que foi muito comovente para o casal, evidenciou-se que o marido não ousava aceitar o amor de uma mulher nem gerar um filho, porque o regresso do pai ao lar e seu conseqüente casamento com sua mãe só foram possíveis através do assassinato de uma pessoa. Este era um importante quadro de fundo para os problemas sexuais por parte do marido. Um cartão postal enviado pelo casal, nas férias que se seguiram, dava a entender que algo se resolvera em sua relação.
Mas esta história ainda teve prosseguimento. Algum tempo depois, a mulher ligou para o terapeuta. Disse que houvera muitas melhoras no casamento e que o marido mudara muito e estava muito afeiçoado a ela. Mas ela se sentia de novo intranqüila e insatisfeita quanto à relação sexual. Então, através de duas breves ligações telefônicas, entrou em contato com uma avó que, depois da morte de seu primeiro marido, por quem tinha muito amor, tivera uma vida muito infeliz e uma relação muito insatisfatória com os homens que se seguiram. Percebendo sua estreita ligação com essa avó, a mulher conseguiu acolhê-la amorosamente em seu destino e desidentificar-se dela. Num outro cartão de férias comunicou que agora estava muito satisfeita e que estava bem com o marido.
A dupla transferência
Um fenômeno freqüente em conflitos sérios entre parceiros aparece no que Bert Hellinger chamou de “dupla transferência”. Se uma injustiça cometida entre um homem e uma mulher, numa geração anterior, não teve a devida compensação, esta é transferida para seus descendentes. Ela atinge então pessoas totalmente inocentes, acrescentando uma nova injustiça à primeira. Assim, por exemplo, uma mulher “bondosa” e compassiva tolera, por anos a fio, os casos públicos de seu marido que muito a magoam, mas sua filha assume a vingança em nome da mãe. Entretanto, como também ama e protege o pai, vinga-se em seu marido, molestando-o abertamente com um namoro. A transferência no sujeito significa aqui que ela age em lugar de sua mãe. E a transferência no objeto significa que a compensação não se dirige à pessoa do pai, mas ao marido. Embora inocente, este é chamado a pagar por uma injustiça na família de sua mulher. Ao mesmo tempo a filha torna-se semelhante ao pai em seu comportamento, não agindo melhor do que ele.
Certa mulher estava sempre muito irritada com seu marido e, como ela própria notou, sem razão. Na constelação, ficou claro que ela representava uma tia que, como primeira filha de mãe solteira, fora totalmente excluída da família por seu avô. Em substituição a essa tia, a mulher assumiu a raiva pela injustiça mas, poupando o avô, dirigiu-a contra o próprio marido. Ao mesmo tempo, e sem consciência do fato, deu à sua filha mais velha o mesmo nome da tia. A história somente lhe foi revelada por uma conversa telefônica posterior com o próprio pai.
Uma outra mulher, que era bonita mas tinha uma fisionomia muito carregada, era seguidamente abandonada pelos homens. Não dava a impressão de ser agressiva, mas comportava-se como uma vingadora cautelosa, aguardando o momento certo para o golpe. As informações sobre sua família revelaram que sua mãe, aos doze anos de idade, fora estuprada e quase morta. Na constelação a mulher experimentou o medo pânico de sua mãe e, assumindo o papel de sua representante diante do agressor, bradou-lhe no rosto: “Eu mato você!” Foi somente o reconhecimento desse agressor como primeiro homem da mãe, e uma profunda reverência da mãe e da filha diante do destino que uniu a mãe e seu agressor como homem e mulher num evento terrível e sem saída, que trouxe alívio e luz ao semblante da jovem mulher. Então ela pôde entender seus impulsos de vingança diante dos homens, e em que medida nisso ela se ligava à mãe e ao mesmo tempo se tornava semelhante ao agressor.
A fascinação de um parceiro pela morte
Uma dinâmica usual que separa os parceiros resulta do fato de que um deles, de algum modo, está mais perto da morte do que da vida. Essa pessoa não está realmente presente, e toda a luta do outro para retê-lo apenas agrava o conflito. Assim, certa mulher ficou muito tocada quando, numa constelação, pôde ver em que direção olhava o ex-marido do qual acabara de separar-se como sua quinta mulher (ele vivia trocando de mulheres). Na constelação, seu representante não olhava para nenhuma de suas mulheres e namoradas, cujas representantes tinham sido colocadas ali, mas apenas para uma antiga noiva que, pouco antes do casamento, morreu num acidente. Ele queria seguir essa mulher na morte, como se só assim pudesse consumar-se esse grande amor.
Um homem muito bem sucedido e, não obstante, solitário, ficou muito assustado quando se revelou em sua constelação que ele, no meio de todos seus casos, levava consigo esta frase: “Antes te amar do que morrer”.
Sentia-se atraído por sua mãe, que morrera muito cedo, e na constelação só encontrou paz junto dela. É como se tivesse sentido toda a sua vida através dessa atração por sua mãe, e tivesse se defendido dela através desses amores. E talvez também tivesse procurado encontrar neles sua mãe viva, naturalmente não a encontrando.
Nas camadas profundas da alma de homens violentos e mulheres agressivas manifesta-se, às vezes, um grande desespero, o medo de perder o parceiro pela morte e uma luta impotente contra isso. Muitos casamentos fracassaram no pós-guerra porque o homem não conseguia aceitar o fato de ter sobrevivido, em face dos numerosos companheiros mortos com quem diariamente lutara pela sobrevivência. Mesmo voltando para casa, ele desejava, no íntimo, juntar-se aos companheiros mortos. Abala-nos sempre perceber, no decurso de constelações, em quantos conflitos de casal existe, bem no fundo, uma questão de vida e de morte, e quanto de emoção e de entendimento mútuo se libera quando isso vem à luz e, na medida do possível, pode ser resolvido.
Gostaria de mencionar aqui, muito rapidamente, uma dinâmica que se revela cada vez mais, logo que ficamos atentos a ela. Dois parceiros se encontram, em muitos casos, devido à existência de destinos semelhantes em suas famílias de origem. Quando, por exemplo, há um filho presumido na família de um dos parceiros, o mesmo ocorre, com freqüência, na família do outro, muitas vezes com diferença de uma geração. Se numa das famílias os homens têm uma posição desfavorável, isso também acontece freqüentemente na outra família. Se uma das famílias sofre os efeitos de destinos envolvendo criminosos e vítimas, o mesmo ocorre geralmente na outra família. Parece que instintivamente percebemos no parceiro os destinos de sua família, no que têm em comum com os destinos da nossa. São bem diferentes, entretanto, os padrões de lidar com tais destinos. Assim, com freqüência as pessoas se completam pelo lado funesto: por exemplo, um dos parceiros se identifica com as vítimas de um avô no regime nazista, enquanto o outro se envolve com um avô que pertenceu às forças de choque do regime.
Quando ambos os parceiros comparecem a um trabalho para casais, em grupo ou num aconselhamento privado, as conexões que vêm à luz proporcionam muita compreensão recíproca e uma visão do quadro de fundo das dificuldades de relacionamento. Também para o terapeuta é emocionante presenciar quando o auto reconhecimento de um casal envolvido nos destinos familiares se manifesta de uma forma que reforça seu vínculo no amor.
O movimento amoroso interrompido
Uma dinâmica importante nos conflitos de casal se mostra quando há um movimento precocemente interrompido no amor dirigido à mãe. Isto não constitui, em sua origem, um conflito sistêmico, e só se torna tal quando é transferido para a relação conjugal. Uma interrupção no movimento amoroso origina-se na criança pequena quando ela é separada da mãe nos primeiros anos de vida, geralmente por força do destino, por exemplo, porque a mãe teve de ficar hospitalizada por várias semanas depois do nascimento, ou porque a criança de um ano precisou ser internada para uma operação, ou porque a mãe morreu quando a criança tinha três anos. Trata-se portanto de uma separação prematura que sofre a criança, principalmente em relação à sua mãe, às vezes também ao seu pai. O efeito que isso terá sobre a vida posterior da criança, e principalmente sobre os seus relacionamentos, será tanto maior quanto mais existencialmente ameaçada esteve a criança e quanto mais ela teve de abandonar a esperança de recuperar a proximidade da mãe.
Quando um homem ou uma mulher olha para o seu parceiro, sente o desejo de amá-lo e de ser amado por ele. Entretanto, ao se aproximar do parceiro, surge na pessoa, como num reflexo, o antigo medo da criança, de perder sua mãe e de não poder mais confiar nela, junto com uma grande dor e uma profunda resignação. Esse padrão é transferido inconscientemente ao parceiro e uma luz vermelha se acende: “Não quero sofrer isso de novo. Prefiro me retirar logo disso”. Entretanto, como todo mundo gosta de amar e de ser amado, a pessoa volta a tomar um impulso e a procurar o parceiro. Mas, logo que se chega ao amor, emerge novamente o medo da criança pequena e a pessoa torna a recuar. Isto foi descrito por Bert Hellinger como o círculo vicioso da neurose. A maior parte dos chamados conflitos de proximidade e distância têm assim sua origem num movimento precocemente interrompido em direção à mãe. Esses conflitos não podem ser resolvidos na própria relação conjugal, mas exigem que a criança presente no adulto, numa experiência retroativa, seja acolhida com força e amor por sua mãe ou por um terapeuta que a substitua. Isso exige uma experiência de transe ou uma vivência corporal em que o adulto se sinta de novo como uma criança pequena e que, como uma criança pequena, experimente um abraço que lhe permita atravessar a dor e recuperar a confiança em sua mãe.
Quando, na terapia de casal, trazemos assim à luz, de uma forma liberadora, fatos passados, isso ajuda o “amor à segunda vista” (Bert Hellinger), a saber, as dimensões mais profundas de um amor dotado de visão. Representa uma ajuda para o futuro e para um amor bem sucedido do casal (mesmo que, no caso de uma separação, apenas para o tempo em que ainda havia amor). Uma compreensão retroativa só tem sentido na medida em que abre para o casal novos passos para o futuro, no sentido do título de um dos livros de Bert Hellinger: “Vamos em frente”.
A dimensão espiritual da terapia de casal
Quando as constelações na terapia de casal são bem sucedidas, elas abrem para os parceiros um caminho espiritual para o bom êxito de seu relacionamento. O “espiritual” é entendido aqui num sentido mais amplo, como uma espécie de purificação do relacionamento, e como uma forma de inserir-se no espaço maior da alma, que transcende o próprio relacionamento. Também neste particular apontarei brevemente os pontos essenciais.
A fila dos antepassados
A vida nos vem através de nossos pais, mas não se origina neles. Ela vem de longe. Às vezes, podemos colocar os parceiros de frente um para o outro (e isso costuma ser muito útil quando há problemas sexuais) e, atrás de cada um deles, uma fila de antepassados. Isso permite perceber a força da vida que vem de longe e é transmitida através dos antepassados, e também a alegria de viver. Esta conexão, através dos antepassados, com a ampla totalidade da vida é um ato religioso fundamental. Ao realizá-lo nesse espírito, cada um pode sentir, em si mesmo e no parceiro, o que isso proporciona em termos de afluxo de força, de movimento amoroso para o parceiro e de uma união aberta, no sentido de uma vida mais ampla.
O ato de encarar-se
Só conseguimos manter muitos conflitos de relacionamento porque realmente não nos encaramos. Os sentimentos que não podemos manter quando nos olhamos nos olhos não contribuem para o bom êxito do relacionamento. Eles nos mantêm presos a todo tipo de fantasias e de padrões antigos, que nada têm a ver com a relação conjugal. É realmente um exercício espiritual diário desprender-se continuamente desses sentimentos e pensamentos que não conseguimos manter de olhos abertos.
O respeito pelos mais antigos e a primazia do novo
Para o êxito do amor existe um processo indispensável, que tem a ver com o respeito pelos mais antigos e com o progresso. O primeiro passo é este: “Respeito os meus pais e a minha família, e tudo o que vale nessa família”. O segundo passo diz: “Respeito os teus pais e a tua família, e tudo o que vale em tua família”. O terceiro passo costuma ser doloroso. Ambos os parceiros olham para seus pais e lhes dizem interiormente: “Preciso deixar vocês e me desprender também de muita coisa que era importante para vocês. Preciso deixar o que está em oposição ao que traz o meu parceiro em termos de hábitos, normas, valores, fé ou cultura, e o que me impede de dar prioridade à minha união atual e à minha família atual”. E, num quarto passo, os parceiros se encaram e dizem um ao outro: “Vamos fazer algo de novo a partir do antigo que trouxemos, algo que acolha e transcenda o que ambos trouxemos, algo de novo que una e que leve ao futuro, e no qual possamos crescer juntos como pessoas autônomas.”
Da necessidade de partilhar
Muitos conflitos de casal resultam do desejo de que o parceiro satisfaça as nossas necessidades infantis, como se ele tivesse de dar-nos o que deixamos de receber de nossos pais. Isto, porém, sobrecarrega o parceiro, principalmente quando veicula esta mensagem: “Sem você não posso viver!” A solução espiritual reside em ficar em paz com os próprios pais e em dizer ao parceiro: “O que recebi de meus pais basta, e isso eu partilho de boa vontade com você. E o que você traz dos seus pais basta, e eu me alegro se você o repartir comigo. E o que ainda nos falta nós conseguiremos por nossas próprias forças”. Quando este nível adulto de partilhar e de comunicar-se tem força, podemos nos permitir, às vezes, acessos de necessidades infantis, como em situações de estresse e doença. O parceiro estará presente por algum tempo, suportando e dando, até que melhoremos.
Liberdade através do relacionamento
Aqui direi algo de ousado. Às vezes pensamos que, se estivéssemos sós, seríamos mais livres em nosso desenvolvimento e em nossas possibilidades. A realidade é o inverso. A evolução nos ensina que a associação dos parceiros (não a uniformização associada a uma compulsão totalitária) diferencia cada indivíduo, torna-o mais variável em seu pensar e agir do que quando fica confinado à própria individualidade. Quando, com vistas ao parceiro, temos de nos defrontar com coisas novas e procurar novas formas de equilíbrio interno e externo, isto nos libera um pouco dos próprios esforços, que são freqüentemente cegos, em nosso interior. Ganhamos em variedade e equilíbrio, que são pressupostos imprescindíveis para um certo grau de liberdade. Talvez a melhor maneira de descrever a realização espiritual e simultaneamente a realização sistêmica básica na relação do casal seja utilizar, num sentido um pouco mais amplo, as palavras de Bert Hellinger: “Eu amo você e amo aquilo que suporta, dirige e desenvolve a você e a mim”.
(*) Original: “Wege in der Paartherapie”, em: Praxis der Systemaufstellung, 1/2002. Versão elaborada de uma conferência proferida no 3º Congresso Internacional de Constelações Sistêmicas (Würzburg, Alemanha, 2001). Traduzido por Newton Queiroz, Rio de Janeiro, jan. 2003.
Escrito por Jakob R. Schneider
Caminhos na terapia de casal
Jakob Robert Schneider(*)
As constelações familiares também funcionam sempre como terapia de casal. Juntamente com os processos entre pais e filhos, a relação entre o homem e a mulher é o coração da Psicoterapia. É bem verdade que, nos chamados “movimentos da alma”, nosso horizonte se estendeu para além da constelação familiar, abrangendo nossa inserção em contextos existenciais mais amplos: a relação entre vivos e mortos e entre agressores e vítimas, a guerra, conflitos de nacionalidades e religiões. Não obstante, as constelações voltam sempre a afetar em seus efeitos a relação conjugal e as relações familiares.
O sucesso do amor entre o homem e a mulher talvez seja o nosso anseio mais profundo, e o fracasso desse amor faz parte de nossos medos e sofrimentos mais profundos. Surpreende-me sempre constatar que a pressão pelo sucesso das constelações nos grupos para casais é muito maior do que nos seminários para pessoas doentes, onde freqüentemente se trata de vida e de morte. No aconselhamento de casais percebe-se também, de modo especial, uma alta expectativa dirigida ao terapeuta ou ao aconselhador. Pois trata-se de decisões sobre o prosseguimento da vida em comum e das conseqüências que acarretam para os parceiros, os filhos e as bases materiais da vida. Trata-se também das mágoas e dos medos associados ao amor, onde somos ainda mais vulneráveis do que no tocante à nossa integridade física.
Na seqüência, abrirei uma perspectiva de conjunto sobre os caminhos da terapia de casal, a partir da experiência com as constelações familiares e do trabalho com os fatores que as condicionam.
Pressupostos para o bom êxito de uma terapia de casal
Os casais procuram ajuda em suas necessidades, mas freqüentemente com idéias que estragarão qualquer ajuda se forem acolhidas pelo terapeuta. O denominador comum dessas idéias é o abandono da responsabilidade pelo sucesso do aconselhamento. Neste particular, a fantasia usual de um ou de ambos os parceiros é que algo se deteriorou em seu relacionamento e que cabe ao terapeuta, como perito e especialista, repará-lo em sua “oficina”. Ou então o casal procura um juiz para resolver o seu caso, alguém que ouça os argumentos das ambas as partes e dê o seu justo veredicto. Alguns buscam no terapeuta, de um modo mais pessoal, uma autoridade cheia de amor que, à maneira de um aliado, um pai ou uma mãe, saiba o que se deve fazer e se imponha ao outro parceiro.
Conflitos de casal assumem freqüentemente a forma de um desacordo em decisões relevantes, onde cada um procura mudar o outro para que se ajuste a sua experiência de vida, a seus desejos e convicções. Como, apesar de intensos esforços, não lhe bastou para isso a força de sua persuasão, ele transmite ao terapeuta, de forma aberta ou velada, o seu real desejo: “Convença-o você, eu não consigo”. Mormente no atendimento individual, quando apenas um dos parceiros procura conselho, transparece este apelo: “Meu parceiro não me dá o que preciso, não me dá atenção, não está disponível para mim. Por favor, dê-me atenção, esteja disponível para mim, seja para mim uma pessoa familiar e confiável”. Assim, o terapeuta é solicitado a preencher uma lacuna para a satisfação das necessidades infantis ou conjugais do cliente.
A montagem da constelação familiar, em sessão de grupo ou na consulta individual, com a preservação da atitude fenomenológica que fundamenta esse trabalho, ajuda o terapeuta a não acolher esses desejos com a intenção de ajudar o casal. Em vez disso, ele deve manter a atitude imprescindível para se alcançar uma solução. Ele entra em sintonia com a alma ou com o campo de relacionamento do casal. Acompanha a vibração do sistema do relacionamento, através da constelação ou de outro método que lhe permita ver e entrar em contato. E faz com que se manifeste, através daquilo que se mostra, algo que seja importante para o casal e o faça avançar. O terapeuta apenas transmite uma indicação ou um conselho essencial, e depois se retira. Não acompanha o processo do casal até a solução. No máximo, comporta-se como um navegador experimentado que, de acordo com o objetivo do casal, indica o caminho ou mesmo assume o comando em seu trecho inicial.
Terapeutas não são mecânicos, juizes, correligionários, pais ou familiares. Um aconselhamento de casal não tem por função modificar a personalidade dos parceiros. Ele permanece sempre incompleto e visa apenas o que é exigido para o próximo passo. Permanecem com o casal o objetivo e o caminho da solução, bem como a responsabilidade e a força para resolver o problema. Assim se preserva a dignidade do casal, bem como a do terapeuta.
O que o aconselhador pode fazer de mais importante pelo casal em sua necessidade, antes mesmo de abrir-lhe uma nova perspectiva sobre sua mútua relação, é interromper os padrões que impedem e destroem o relacionamento. Da mesma forma como recusa acolher as idéias dos parceiros sobre a maneira de ajudá-los, ele interrompe rapidamente os padrões de pensamento e de comportamento que são parte do problema e não trouxeram ajuda até o momento. As constelações familiares, seja em grupo ou em sessões individuais, são uma grande ajuda metódica, já pelo simples fato de que afastam imediatamente os parceiros de discursos estereotipados sobre o relacionamento, levando-os a um olhar conjunto sobre a constelação e, consequentemente, sobre os movimentos mais profundos que fazem progredir o seu relacionamento.
Soluções com vistas às ocorrências dentro do relacionamento do casal
A atenção do aconselhador ou do terapeuta deve se voltar inicialmente para o que ocorreu na história do casal, investigando o que aconteceu por obra do destino ou por responsabilidade pessoal de um ou de ambos os parceiros e os levou aos limites de seu relacionamento. Cito aqui alguns pontos mais importantes, com breves exemplos.
Vínculos anteriores não honrados
Relacionamentos anteriores que criaram vínculo através de um profundo e marcante exercício da sexualidade e foram desfeitos com mágoas ou sentimentos de culpa, pelo menos de um dos parceiros, interferem nas relações ulteriores. Quando o amor, a dor e o preço pago na ligação anterior não são honrados no novo relacionamento, isso não apenas induz filhos dos novos relacionamentos a representar ex-parceiros dos pais que não foram devidamente respeitados, como também impede, muitas vezes, os novos parceiros de assumir sua relação, pelo preço que custou aos parceiros anteriores. O ciúme, por exemplo, é uma forma inconsciente de lealdade a uma ligação anterior do parceiro. Quando um homem abandona sem necessidade sua mulher para viver com uma amante, o ciúme desta freqüentemente destrói a nova ligação. Ela não consegue assumir a relação pelo preço que custou à parceira anterior, e torna-se igual a ela no medo de perder o homem para uma outra mulher.
As ligações anteriores são muitas vezes esquecidas, reprimidas ou não reconhecidas em seus efeitos posteriores. Um homem se queixou de que, depois de dois casamentos e de um terceiro relacionamento mais longo, apaixonara-se de novo, mas a mulher não queria casar-se com ele. Em sua constelação verificou-se que todas as mulheres estavam zangadas com ele, inclusive as duas filhas de seu primeiro matrimônio. Só após um persistente interrogatório ele revelou, com um gesto depreciativo da mão, que aos 17 anos tivera um amor de juventude com intenso envolvimento sexual e que, pouco depois de ter-se separado dessa moça, ela foi internada numa clínica psiquiátrica. Uma representante dessa mulher foi então incluída na constelação. Ela chorou amargamente e todas as outras mulheres tinham lágrimas nos olhos. Somente quanto o homem a encarou como seu amor de juventude, falou-lhe como a sua primeira mulher, mostrou compaixão com seu destino e a abraçou de novo com amor é que ela ficou tranqüila e sorriu. As outras mulheres também abriram sorrisos e a última delas disse: “Agora já posso pensar em casar-me com ele”. E, de fato, os dois se casaram depois.
Ocorrências traumáticas no relacionamento conjugal
Entre as ocorrências que atuam como graves ofensas na relação de um casal e com freqüência acarretam a separação, porque o destino não pode ser carregado em comum, enumeram-se: filhos prematuramente falecidos, abortos provocados, abortos espontâneos em grande número, ausência de filhos, sexualidade deficiente, doenças graves, acidentes, culpa real ou imaginária em relação ao parceiro ou a outras pessoas, ameaça às bases da existência e graves ameaças à integridade do corpo ou da alma. Com a ajuda de uma constelação é possível conjurar forças que possibilitem aos parceiros a superação conjunta do evento traumático, reforçando o vínculo ou então levando-os a aceitar o fato de que já não podem assumir em comum o destino ou a responsabilidade.
Uma mulher procurou um grupo porque buscava um caminho para dissolver o “profundo mutismo” que havia entre ela e o marido. A constelação de sua família atual mostrou realmente que havia um abismo entre o casal, o que fez com que a atenção se desviasse imediatamente dos filhos para os pais. Perguntada sobre que fatores de separação houvera entre ela e o marido, a mulher logo disse que tinha havido ainda uma quarta criança, bem mais nova, fruto de uma noitada, que eles decidiram abortar. Foi colocado um representante para essa criança, que sentou no chão, entre os pais. Os representantes dos pais olharam imediatamente para a criança, colocaram-se juntos atrás dela, puseram espontaneamente as mãos sobre sua cabeça, olhavam alternadamente para a criança e entre si e deixaram silenciosamente correr suas lágrimas. A mulher que colocara sua família estava sentada na roda e também chorava em silêncio. Os representantes dos filhos deram um passo para trás, afastando-se dos pais, e simplesmente ficaram olhando. Terminada a constelação, a mulher agradeceu e disse que ela tinha salvado a sua vida. Admirado, o terapeuta lhe perguntou o que ela queria dizer com isso. Ela respondeu: “Pouco depois do aborto apanhei um grave reumatismo e imediatamente reconheci que esta era a minha forma de expiar pelo aborto”. No dia seguinte, ela contou que, na noite do próprio dia da constelação, seu marido regressou de uma longa viagem de negócios e ela lhe contou o que se passara. Então ele se sentou no sofá, chorou muito e disse: “Eu sempre me senti muito culpado”. E passaram toda a noite conversando.
Num grupo de constelação familiar, um homem manifestou, como seu problema, que sua mulher se esquivava dele e tratava sem amor a filha e um filho mongolóide, que estava internado num asilo. Na constelação, a mulher realmente se mostrou isolada e totalmente fria. Os três filhos – pois tinha havido um outro filho mongolóide, o mais novo, falecido aos quatro anos de idade– se distanciaram dos pais, afastando-se, e a filha se colocou entre a mãe e os irmãos, como se quisesse protegê-los. O terapeuta perguntou então ao homem se tinha havido recriminações pelos filhos que nasceram mongolóides. O homem engoliu em seco e disse: “Sim, meus pais fizeram graves acusações à minha mulher, dizendo que ela trouxera da família uma péssima herança genética e jamais deveria ter-se casado comigo. E eu defendi meus pais e suas acusações”. Então o terapeuta colocou esse homem diante da representante de sua mulher e pediu aos dois que se olhassem demoradamente, realmente encarando-se. Isso entretanto era visivelmente difícil para eles. Finalmente o homem conseguiu dizer à mulher: “Sinto muito. Coloquei em você todo o peso do destino de nossos filhos doentes. Juntamente com meus pais, responsabilizei você e sua família e a magoei muito. Se você ainda puder aceitar isto, estou disposto agora a retirar minha acusação e a carregar com responsabilidade e amor, junto com você, o destino de nossos filhos”. – Então a representante de sua mulher se lançou em seus braços e chorou por longo tempo. Em seguida ela o encarou amorosamente, caminhou para os filhos e os abraçou. Quando o pai se aproximou, por sua vez, e juntamente com sua mulher abraçou os filhos, eles finalmente aceitaram a proximidade da mãe.
Na terapia de casal e nas constelações que revelam a dinâmica dos relacionamentos verificamos portanto quais são os eventos que atuam como fatores de separação num relacionamento e que caminho se oferece ao casal no sentido de carregar algo em comum, restaurar a ligação, assumir a dor da perda e deixar que o passado seja passado. E verificamos como um casal pode lidar com tais eventos. Mesmo quando for inevitável a separação, os acontecimentos que separam podem, passado algum tempo, descansar em paz e a relação pode terminar com amor e dignidade.
A ordem confiável na família
Freqüentemente o amor entre o homem e a mulher é impedido por não serem reconhecidas as condições para o crescimento da relação. Neste caso, a constelação é útil para encontrar as formas de restabelecer a ordem no sistema.
Por exemplo, uma das condições mais importantes para o bom êxito do amor é que, no processo de dar e tomar, se volte sempre a alcançar uma compensação positiva. Quem toma, também deve dar; se ama, deveria dar um pouco mais do que recebeu. Assim, através do amor, a troca recíproca é estimulada no sentido de um alto investimento de vida. A isto chamamos felicidade. Mas essa felicidade é também difícil. Ela exige muita coisa dos parceiros, que então dificilmente podem separar-se. Às vezes, alguém já não consegue sustentar a troca crescente do dar e tomar, e talvez se sinta atraído por um outro parceiro, com quem possa trocar menos. Ou então minimiza com críticas o que recebe, para sentir-se menos obrigado.
A compensação entre o dar e o tomar funciona nos relacionamentos como uma lei natural. Se o desequilíbrio cresce demais, a relação não consegue suportá-lo. Se, por exemplo, a mulher custeou para o marido uma formação superior, sustentando-o, é freqüente que ele a deixe depois, porque a compensação se torna muito grande e difícil para ele. Quando um dos parceiros traz um grande peso em bens, relacionamentos anteriores, filhos, destino, caminho de vida, e o outro não pode contrapor-lhe nada de equivalente, isso pode destruir o relacionamento depois de algum tempo. A gratidão e o amor podem aliviar parte do desequilíbrio, mas muitas vezes é difícil.
Também as ofensas exigem compensação. Enquanto o parceiro ofendido quiser permanecer inocente não haverá possibilidade de compensação. Se, inversamente, o revide for tão grande que cause ao outro um sofrimento ainda maior, a relação entrará num círculo vicioso de brigas e ofensas recíprocas, que só conhecerá pausas pelo esgotamento e geralmente sobreviverá a uma separação. A solução, neste caso, é buscar a compensação através de uma zanga ou de uma exigência menos ofensiva, que respeite o parceiro e o convide a retomar o amor, dando-lhe a oportunidade de reparar algo amorosamente e de dar algo bom de um modo diferente.
Citarei aqui, de modo sucinto, outras formas das ordens do amor. A primeira é a primazia da relação do casal sobre o cuidado dos filhos – pois o cuidado dos pais pelos filhos aumenta com o amor recíproco entre os pais. Se este é sacrificado em benefício do cuidado com os filhos, isto separa os pais e os filhos não o aceitam, porque os pais pagam o preço em sua relação.
Já nos sistemas familiares complexos, onde existem filhos de relações anteriores, a ordem correta confere primazia ao cuidado pelos filhos dessas relações. Contudo, no que toca à relação entre o homem e a mulher, prevalece o novo sistema.
Naturalmente resultam conseqüências de peso para uma relação e para os filhos quando um parceiro que tem um filho de uma relação anterior silencia este fato e não provê a criança. Para além da ignorância do fato, isso pesa também sobre o relacionamento seguinte e os filhos subsequentes.
Obviamente, é muito importante que a relação do casal seja confiável como relação entre um homem e uma mulher. Por outras palavras, o homem deve ser e permanecer homem e a mulher deve ser e permanecer mulher. Os parceiros devem sentir necessidade e confiança mútua, sobretudo no que se refere à sexualidade e ao provimento das condições de vida.
Devemos considerar também outra ordem do relacionamento, fruto da percepção que Bert Hellinger exprime com esta frase: “A mulher deve seguir o homem (em sua família, em seu país, em sua cultura) e o homem deve servir ao feminino”.
Na terapia de casal devemos, portanto, ter em vista o que está em desequilíbrio na relação e como é possível restaurar uma troca positiva e aberta para o futuro, ou então conseguir uma compensação que possibilite uma boa separação. Verificamos, ainda, o que precisa ficar em ordem na relação, de modo que ela volte a ser vivida de uma forma confiável.
Soluções com vistas a acontecimentos e destinos nas famílias de origem
Talvez o aspecto mais importante na terapia conjugal seja a percepção dos envolvimentos dos parceiros nas respectivas famílias de origem. Esta é freqüentemente a zona menos perceptível para os parceiros e é aí que as constelações lhes fornecem o maior esclarecimento. De fato, a terapia de casal sempre levou em conta a interferência de necessidades infantis insatisfeitas e de traumas de infância. Entretanto, foi somente através das constelações familiares que foram percebidos, em toda a sua amplitude e em seus efeitos trágicos, os envolvimentos profundos dos parceiros em destinos que abrangem várias gerações e em temas familiares não resolvidos. A maioria dos problemas sérios de relacionamento nada tem a ver com o próprio casal e com seu amor recíproco. Cegamente absorvidos em conflitos não resolvidos, e muitas vezes inconscientes, de antepassados das famílias de origem, os parceiros carecem de compreensão e sensibilidade em seu relacionamento e projetam ou procuram resolver um no outro o que malogrou em seus antepassados por força do destino ou por responsabilidade pessoal.
Comportamento cego de ambos os parceiros com respeito a destinos e eventos anteriores
Num grupo para casais, um deles constelou o seu sistema atual. A mulher trouxera para o novo casamento um filho de um matrimônio anterior. Na nova relação, embora recente, já havia muita briga. Na constelação evidenciou-se que a mulher tinha muito pouca consideração pelo ex-marido e uma grande esperança de que o novo marido viesse a ser um pai melhor para a filha dela. A relação entre a mãe e a filha era muito estreita, e o marido atual se sentia estranho e olhava para fora. Nessa constelação, a filha assumiu e honrou seu pai. O marido atual ficou aliviado e encontrou um lugar ao lado de sua esposa. Parecia que a constelação tinha funcionado e trazido solução.
Entretanto, à noite o marido procurou o terapeuta. Disse que se sentia muito mal e que também não revelara o mais importante: que tinham sérios problemas no relacionamento sexual, onde ela fazia muitas exigências que ele não podia satisfazer. No dia seguinte, o terapeuta fez com que o marido montasse a constelação de seu sistema de origem. Ela evidenciou que o homem tinha uma estreita ligação com sua mãe e assumia junto dela o lugar do pai. O representante do pai olhava para fora do sistema, totalmente fascinado por algo terrível. Averiguou-se que, no decurso de uma longa fuga da prisão, que durou três anos, ele fuzilou um homem que lhe barrara o caminho. Na compreensão desse evento, que foi muito comovente para o casal, evidenciou-se que o marido não ousava aceitar o amor de uma mulher nem gerar um filho, porque o regresso do pai ao lar e seu conseqüente casamento com sua mãe só foram possíveis através do assassinato de uma pessoa. Este era um importante quadro de fundo para os problemas sexuais por parte do marido. Um cartão postal enviado pelo casal, nas férias que se seguiram, dava a entender que algo se resolvera em sua relação.
Mas esta história ainda teve prosseguimento. Algum tempo depois, a mulher ligou para o terapeuta. Disse que houvera muitas melhoras no casamento e que o marido mudara muito e estava muito afeiçoado a ela. Mas ela se sentia de novo intranqüila e insatisfeita quanto à relação sexual. Então, através de duas breves ligações telefônicas, entrou em contato com uma avó que, depois da morte de seu primeiro marido, por quem tinha muito amor, tivera uma vida muito infeliz e uma relação muito insatisfatória com os homens que se seguiram. Percebendo sua estreita ligação com essa avó, a mulher conseguiu acolhê-la amorosamente em seu destino e desidentificar-se dela. Num outro cartão de férias comunicou que agora estava muito satisfeita e que estava bem com o marido.
A dupla transferência
Um fenômeno freqüente em conflitos sérios entre parceiros aparece no que Bert Hellinger chamou de “dupla transferência”. Se uma injustiça cometida entre um homem e uma mulher, numa geração anterior, não teve a devida compensação, esta é transferida para seus descendentes. Ela atinge então pessoas totalmente inocentes, acrescentando uma nova injustiça à primeira. Assim, por exemplo, uma mulher “bondosa” e compassiva tolera, por anos a fio, os casos públicos de seu marido que muito a magoam, mas sua filha assume a vingança em nome da mãe. Entretanto, como também ama e protege o pai, vinga-se em seu marido, molestando-o abertamente com um namoro. A transferência no sujeito significa aqui que ela age em lugar de sua mãe. E a transferência no objeto significa que a compensação não se dirige à pessoa do pai, mas ao marido. Embora inocente, este é chamado a pagar por uma injustiça na família de sua mulher. Ao mesmo tempo a filha torna-se semelhante ao pai em seu comportamento, não agindo melhor do que ele.
Certa mulher estava sempre muito irritada com seu marido e, como ela própria notou, sem razão. Na constelação, ficou claro que ela representava uma tia que, como primeira filha de mãe solteira, fora totalmente excluída da família por seu avô. Em substituição a essa tia, a mulher assumiu a raiva pela injustiça mas, poupando o avô, dirigiu-a contra o próprio marido. Ao mesmo tempo, e sem consciência do fato, deu à sua filha mais velha o mesmo nome da tia. A história somente lhe foi revelada por uma conversa telefônica posterior com o próprio pai.
Uma outra mulher, que era bonita mas tinha uma fisionomia muito carregada, era seguidamente abandonada pelos homens. Não dava a impressão de ser agressiva, mas comportava-se como uma vingadora cautelosa, aguardando o momento certo para o golpe. As informações sobre sua família revelaram que sua mãe, aos doze anos de idade, fora estuprada e quase morta. Na constelação a mulher experimentou o medo pânico de sua mãe e, assumindo o papel de sua representante diante do agressor, bradou-lhe no rosto: “Eu mato você!” Foi somente o reconhecimento desse agressor como primeiro homem da mãe, e uma profunda reverência da mãe e da filha diante do destino que uniu a mãe e seu agressor como homem e mulher num evento terrível e sem saída, que trouxe alívio e luz ao semblante da jovem mulher. Então ela pôde entender seus impulsos de vingança diante dos homens, e em que medida nisso ela se ligava à mãe e ao mesmo tempo se tornava semelhante ao agressor.
A fascinação de um parceiro pela morte
Uma dinâmica usual que separa os parceiros resulta do fato de que um deles, de algum modo, está mais perto da morte do que da vida. Essa pessoa não está realmente presente, e toda a luta do outro para retê-lo apenas agrava o conflito. Assim, certa mulher ficou muito tocada quando, numa constelação, pôde ver em que direção olhava o ex-marido do qual acabara de separar-se como sua quinta mulher (ele vivia trocando de mulheres). Na constelação, seu representante não olhava para nenhuma de suas mulheres e namoradas, cujas representantes tinham sido colocadas ali, mas apenas para uma antiga noiva que, pouco antes do casamento, morreu num acidente. Ele queria seguir essa mulher na morte, como se só assim pudesse consumar-se esse grande amor.
Um homem muito bem sucedido e, não obstante, solitário, ficou muito assustado quando se revelou em sua constelação que ele, no meio de todos seus casos, levava consigo esta frase: “Antes te amar do que morrer”.
Sentia-se atraído por sua mãe, que morrera muito cedo, e na constelação só encontrou paz junto dela. É como se tivesse sentido toda a sua vida através dessa atração por sua mãe, e tivesse se defendido dela através desses amores. E talvez também tivesse procurado encontrar neles sua mãe viva, naturalmente não a encontrando.
Nas camadas profundas da alma de homens violentos e mulheres agressivas manifesta-se, às vezes, um grande desespero, o medo de perder o parceiro pela morte e uma luta impotente contra isso. Muitos casamentos fracassaram no pós-guerra porque o homem não conseguia aceitar o fato de ter sobrevivido, em face dos numerosos companheiros mortos com quem diariamente lutara pela sobrevivência. Mesmo voltando para casa, ele desejava, no íntimo, juntar-se aos companheiros mortos. Abala-nos sempre perceber, no decurso de constelações, em quantos conflitos de casal existe, bem no fundo, uma questão de vida e de morte, e quanto de emoção e de entendimento mútuo se libera quando isso vem à luz e, na medida do possível, pode ser resolvido.
Gostaria de mencionar aqui, muito rapidamente, uma dinâmica que se revela cada vez mais, logo que ficamos atentos a ela. Dois parceiros se encontram, em muitos casos, devido à existência de destinos semelhantes em suas famílias de origem. Quando, por exemplo, há um filho presumido na família de um dos parceiros, o mesmo ocorre, com freqüência, na família do outro, muitas vezes com diferença de uma geração. Se numa das famílias os homens têm uma posição desfavorável, isso também acontece freqüentemente na outra família. Se uma das famílias sofre os efeitos de destinos envolvendo criminosos e vítimas, o mesmo ocorre geralmente na outra família. Parece que instintivamente percebemos no parceiro os destinos de sua família, no que têm em comum com os destinos da nossa. São bem diferentes, entretanto, os padrões de lidar com tais destinos. Assim, com freqüência as pessoas se completam pelo lado funesto: por exemplo, um dos parceiros se identifica com as vítimas de um avô no regime nazista, enquanto o outro se envolve com um avô que pertenceu às forças de choque do regime.
Quando ambos os parceiros comparecem a um trabalho para casais, em grupo ou num aconselhamento privado, as conexões que vêm à luz proporcionam muita compreensão recíproca e uma visão do quadro de fundo das dificuldades de relacionamento. Também para o terapeuta é emocionante presenciar quando o auto reconhecimento de um casal envolvido nos destinos familiares se manifesta de uma forma que reforça seu vínculo no amor.
O movimento amoroso interrompido
Uma dinâmica importante nos conflitos de casal se mostra quando há um movimento precocemente interrompido no amor dirigido à mãe. Isto não constitui, em sua origem, um conflito sistêmico, e só se torna tal quando é transferido para a relação conjugal. Uma interrupção no movimento amoroso origina-se na criança pequena quando ela é separada da mãe nos primeiros anos de vida, geralmente por força do destino, por exemplo, porque a mãe teve de ficar hospitalizada por várias semanas depois do nascimento, ou porque a criança de um ano precisou ser internada para uma operação, ou porque a mãe morreu quando a criança tinha três anos. Trata-se portanto de uma separação prematura que sofre a criança, principalmente em relação à sua mãe, às vezes também ao seu pai. O efeito que isso terá sobre a vida posterior da criança, e principalmente sobre os seus relacionamentos, será tanto maior quanto mais existencialmente ameaçada esteve a criança e quanto mais ela teve de abandonar a esperança de recuperar a proximidade da mãe.
Quando um homem ou uma mulher olha para o seu parceiro, sente o desejo de amá-lo e de ser amado por ele. Entretanto, ao se aproximar do parceiro, surge na pessoa, como num reflexo, o antigo medo da criança, de perder sua mãe e de não poder mais confiar nela, junto com uma grande dor e uma profunda resignação. Esse padrão é transferido inconscientemente ao parceiro e uma luz vermelha se acende: “Não quero sofrer isso de novo. Prefiro me retirar logo disso”. Entretanto, como todo mundo gosta de amar e de ser amado, a pessoa volta a tomar um impulso e a procurar o parceiro. Mas, logo que se chega ao amor, emerge novamente o medo da criança pequena e a pessoa torna a recuar. Isto foi descrito por Bert Hellinger como o círculo vicioso da neurose. A maior parte dos chamados conflitos de proximidade e distância têm assim sua origem num movimento precocemente interrompido em direção à mãe. Esses conflitos não podem ser resolvidos na própria relação conjugal, mas exigem que a criança presente no adulto, numa experiência retroativa, seja acolhida com força e amor por sua mãe ou por um terapeuta que a substitua. Isso exige uma experiência de transe ou uma vivência corporal em que o adulto se sinta de novo como uma criança pequena e que, como uma criança pequena, experimente um abraço que lhe permita atravessar a dor e recuperar a confiança em sua mãe.
Quando, na terapia de casal, trazemos assim à luz, de uma forma liberadora, fatos passados, isso ajuda o “amor à segunda vista” (Bert Hellinger), a saber, as dimensões mais profundas de um amor dotado de visão. Representa uma ajuda para o futuro e para um amor bem sucedido do casal (mesmo que, no caso de uma separação, apenas para o tempo em que ainda havia amor). Uma compreensão retroativa só tem sentido na medida em que abre para o casal novos passos para o futuro, no sentido do título de um dos livros de Bert Hellinger: “Vamos em frente”.
A dimensão espiritual da terapia de casal
Quando as constelações na terapia de casal são bem sucedidas, elas abrem para os parceiros um caminho espiritual para o bom êxito de seu relacionamento. O “espiritual” é entendido aqui num sentido mais amplo, como uma espécie de purificação do relacionamento, e como uma forma de inserir-se no espaço maior da alma, que transcende o próprio relacionamento. Também neste particular apontarei brevemente os pontos essenciais.
A fila dos antepassados
A vida nos vem através de nossos pais, mas não se origina neles. Ela vem de longe. Às vezes, podemos colocar os parceiros de frente um para o outro (e isso costuma ser muito útil quando há problemas sexuais) e, atrás de cada um deles, uma fila de antepassados. Isso permite perceber a força da vida que vem de longe e é transmitida através dos antepassados, e também a alegria de viver. Esta conexão, através dos antepassados, com a ampla totalidade da vida é um ato religioso fundamental. Ao realizá-lo nesse espírito, cada um pode sentir, em si mesmo e no parceiro, o que isso proporciona em termos de afluxo de força, de movimento amoroso para o parceiro e de uma união aberta, no sentido de uma vida mais ampla.
O ato de encarar-se
Só conseguimos manter muitos conflitos de relacionamento porque realmente não nos encaramos. Os sentimentos que não podemos manter quando nos olhamos nos olhos não contribuem para o bom êxito do relacionamento. Eles nos mantêm presos a todo tipo de fantasias e de padrões antigos, que nada têm a ver com a relação conjugal. É realmente um exercício espiritual diário desprender-se continuamente desses sentimentos e pensamentos que não conseguimos manter de olhos abertos.
O respeito pelos mais antigos e a primazia do novo
Para o êxito do amor existe um processo indispensável, que tem a ver com o respeito pelos mais antigos e com o progresso. O primeiro passo é este: “Respeito os meus pais e a minha família, e tudo o que vale nessa família”. O segundo passo diz: “Respeito os teus pais e a tua família, e tudo o que vale em tua família”. O terceiro passo costuma ser doloroso. Ambos os parceiros olham para seus pais e lhes dizem interiormente: “Preciso deixar vocês e me desprender também de muita coisa que era importante para vocês. Preciso deixar o que está em oposição ao que traz o meu parceiro em termos de hábitos, normas, valores, fé ou cultura, e o que me impede de dar prioridade à minha união atual e à minha família atual”. E, num quarto passo, os parceiros se encaram e dizem um ao outro: “Vamos fazer algo de novo a partir do antigo que trouxemos, algo que acolha e transcenda o que ambos trouxemos, algo de novo que una e que leve ao futuro, e no qual possamos crescer juntos como pessoas autônomas.”
Da necessidade de partilhar
Muitos conflitos de casal resultam do desejo de que o parceiro satisfaça as nossas necessidades infantis, como se ele tivesse de dar-nos o que deixamos de receber de nossos pais. Isto, porém, sobrecarrega o parceiro, principalmente quando veicula esta mensagem: “Sem você não posso viver!” A solução espiritual reside em ficar em paz com os próprios pais e em dizer ao parceiro: “O que recebi de meus pais basta, e isso eu partilho de boa vontade com você. E o que você traz dos seus pais basta, e eu me alegro se você o repartir comigo. E o que ainda nos falta nós conseguiremos por nossas próprias forças”. Quando este nível adulto de partilhar e de comunicar-se tem força, podemos nos permitir, às vezes, acessos de necessidades infantis, como em situações de estresse e doença. O parceiro estará presente por algum tempo, suportando e dando, até que melhoremos.
Liberdade através do relacionamento
Aqui direi algo de ousado. Às vezes pensamos que, se estivéssemos sós, seríamos mais livres em nosso desenvolvimento e em nossas possibilidades. A realidade é o inverso. A evolução nos ensina que a associação dos parceiros (não a uniformização associada a uma compulsão totalitária) diferencia cada indivíduo, torna-o mais variável em seu pensar e agir do que quando fica confinado à própria individualidade. Quando, com vistas ao parceiro, temos de nos defrontar com coisas novas e procurar novas formas de equilíbrio interno e externo, isto nos libera um pouco dos próprios esforços, que são freqüentemente cegos, em nosso interior. Ganhamos em variedade e equilíbrio, que são pressupostos imprescindíveis para um certo grau de liberdade. Talvez a melhor maneira de descrever a realização espiritual e simultaneamente a realização sistêmica básica na relação do casal seja utilizar, num sentido um pouco mais amplo, as palavras de Bert Hellinger: “Eu amo você e amo aquilo que suporta, dirige e desenvolve a você e a mim”.
(*) Original: “Wege in der Paartherapie”, em: Praxis der Systemaufstellung, 1/2002. Versão elaborada de uma conferência proferida no 3º Congresso Internacional de Constelações Sistêmicas (Würzburg, Alemanha, 2001). Traduzido por Newton Queiroz, Rio de Janeiro, jan. 2003.
domingo, 24 de outubro de 2010
ASSERTIVIDADE E AUTOCONHECIMENTO
Assertividade é uma palavra que poucos conhecem. Embora alguns a associem com agressividade, isso não é verdade.
Assertividade está ligada à palavra asserção, que segundo o Aurélio, quer dizer: 1. Afirmação, asseveração. 2. Alegação, argumento.
Hoje, no mundo dos negócios, os profissionais devem ser assertivos, inclusive na entrevista para seleção de pessoal, pois não basta ter competência técnica, as empresas desejam pessoas talentosas.
A assertividade facilita a demonstração de suas competências, interesses e habilidades. Entretanto, não se preocupe, pois existem vários cursos sobre o assunto. Se você não nasceu dotado de um grau de assertividade positivo, é possível aprender; aliás, tudo na vida é questão de aperfeiçoamento.
Você também não precisa ser um líder ou, necessariamente, autoritário para isso; contudo, deve acreditar em suas verdades, principalmente em uma negociação, onde deve ocorrer sempre o ganha-ganha.
Toda pessoa assertiva tem uma auto-estima positiva e procura, sempre, se auto-avaliar para modificar padrões de pensamentos e valores pessoais. São pessoas capazes de expressar suas idéias, opiniões e sentimentos, ao mesmo tempo em que há uma afirmação de direitos, sem, porém, violar os direitos dos demais. São pessoas que conseguem se comunicar sem ansiedade e constrangimento.
Ao ser assertivo com o seu interlocutor, você está afirmando o seu “Eu”, por isso a assertividade está ligada a pessoas que têm auto-estima positiva e sabem fazer o seu marketing pessoal e/ou profissional, porém, sem arrogância ou agressividade. São pessoas autoconfiantes, independentes e que sabem o que querem. Acreditam em sua capacidade de agir e gerar resultados eficientes para todos os envolvidos em seu ambiente.
Algumas pessoas não utilizam a assertividade em sua comunicação porque pensam que, afirmando os seus desejos e intenções, podem ser rejeitados. Se você se vê assim, precisa transformar a sua auto-estima de negativa ou baixa para uma auto-estima equilibrada; lembre-se que sempre é possível mudar crenças e valores. Tenha em mente que a assertividade pode caminhar com a cooperação; como exemplo, você não precisa depreciar ou menosprezar o outro em uma negociação.
Ser assertivo é ser, também, empático. O assertivo de verdade combina alta capacidade assertiva com equilibrada agressividade, construindo, assim, relações positivas, pois gera maior credibilidade com todos da equipe.
Não é necessário e nem se deve invadir o espaço do outro para ser assertivo. Você favorece seus contatos sociais quando a outra pessoa percebe que você a respeita, mesmo tendo opiniões diferentes daquelas expressadas por ela.
Um ponto importante é que todo profissional assertivo é comprometido com suas metas e escolhas, por isso aumenta suas chances de crescer em sua carreira. Sabe conduzir relações interpessoais de forma positiva, não somatizando doenças, engolindo os famosos “sapos”.
Saiba controlar a sua ansiedade e administrar as suas emoções. Quem tem a ganhar é você mesmo. Se você não é assertivo o bastante, basta confiar na sua capacidade de transformação e ser persistente. Busque sempre o autoconhecimento!
Fonte: Jornal Carreira & Sucesso - 225ª Edição
Assertividade é uma palavra que poucos conhecem. Embora alguns a associem com agressividade, isso não é verdade.
Assertividade está ligada à palavra asserção, que segundo o Aurélio, quer dizer: 1. Afirmação, asseveração. 2. Alegação, argumento.
Hoje, no mundo dos negócios, os profissionais devem ser assertivos, inclusive na entrevista para seleção de pessoal, pois não basta ter competência técnica, as empresas desejam pessoas talentosas.
A assertividade facilita a demonstração de suas competências, interesses e habilidades. Entretanto, não se preocupe, pois existem vários cursos sobre o assunto. Se você não nasceu dotado de um grau de assertividade positivo, é possível aprender; aliás, tudo na vida é questão de aperfeiçoamento.
Você também não precisa ser um líder ou, necessariamente, autoritário para isso; contudo, deve acreditar em suas verdades, principalmente em uma negociação, onde deve ocorrer sempre o ganha-ganha.
Toda pessoa assertiva tem uma auto-estima positiva e procura, sempre, se auto-avaliar para modificar padrões de pensamentos e valores pessoais. São pessoas capazes de expressar suas idéias, opiniões e sentimentos, ao mesmo tempo em que há uma afirmação de direitos, sem, porém, violar os direitos dos demais. São pessoas que conseguem se comunicar sem ansiedade e constrangimento.
Ao ser assertivo com o seu interlocutor, você está afirmando o seu “Eu”, por isso a assertividade está ligada a pessoas que têm auto-estima positiva e sabem fazer o seu marketing pessoal e/ou profissional, porém, sem arrogância ou agressividade. São pessoas autoconfiantes, independentes e que sabem o que querem. Acreditam em sua capacidade de agir e gerar resultados eficientes para todos os envolvidos em seu ambiente.
Algumas pessoas não utilizam a assertividade em sua comunicação porque pensam que, afirmando os seus desejos e intenções, podem ser rejeitados. Se você se vê assim, precisa transformar a sua auto-estima de negativa ou baixa para uma auto-estima equilibrada; lembre-se que sempre é possível mudar crenças e valores. Tenha em mente que a assertividade pode caminhar com a cooperação; como exemplo, você não precisa depreciar ou menosprezar o outro em uma negociação.
Ser assertivo é ser, também, empático. O assertivo de verdade combina alta capacidade assertiva com equilibrada agressividade, construindo, assim, relações positivas, pois gera maior credibilidade com todos da equipe.
Não é necessário e nem se deve invadir o espaço do outro para ser assertivo. Você favorece seus contatos sociais quando a outra pessoa percebe que você a respeita, mesmo tendo opiniões diferentes daquelas expressadas por ela.
Um ponto importante é que todo profissional assertivo é comprometido com suas metas e escolhas, por isso aumenta suas chances de crescer em sua carreira. Sabe conduzir relações interpessoais de forma positiva, não somatizando doenças, engolindo os famosos “sapos”.
Saiba controlar a sua ansiedade e administrar as suas emoções. Quem tem a ganhar é você mesmo. Se você não é assertivo o bastante, basta confiar na sua capacidade de transformação e ser persistente. Busque sempre o autoconhecimento!
Fonte: Jornal Carreira & Sucesso - 225ª Edição
sábado, 16 de outubro de 2010
Inteligência emocional
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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Com um beijo, manifestamos os nossos sentimentos e evocamos emoções.Inteligência emocional é um conceito em Psicologia que descreve a capacidade de reconhecer os próprios sentimentos e os dos outros, assim como a capacidade de lidar com eles.
Índice [esconder]
1 História
2 Os conceitos de Salovey & Mayer
3 O conceito por Goleman
4 Testes
5 Notas
6 Bibliografia
7 Ver também
8 Ligações externas
[editar] História
O emprego mais antigo de um conceito similar ao inteligência emocional remonta a Charles Darwin, que em sua obra referiu a importância da expressão emocional para a sobrevivência e adaptação. Embora as definições tradicionais de inteligência enfatizem os aspectos cognitivos, como memória e resolução de problemas, vários pesquisadores de renome no campo da inteligência estão a reconhecer a importância de aspectos não-cognitivos.
Em 1920, o psicometrista Robert L. Thorndike, na Universidade de Columbia, usou o termo "inteligência social" para descrever a capacidade de compreender e motivar os outros.[1] David Wechsler, em 1940, descreveu a influência dos fatores não-intelectuais sobre o comportamento inteligente, e defendeu ainda que os nossos modelos de inteligência não estariam completos até que esses fatores não pudessem ser adequadamente descritos.
Em 1983, Howard Gardner, em sua teoria das inteligências múltiplas[2], introduziu a ideia de incluir tanto os conceitos de inteligência intrapessoal (capacidade de compreender a si mesmo e de apreciar os próprios sentimentos, medos e motivações) quanto de inteligência interpessoal (capacidade de compreender as intenções, motivações e desejos dos outros). Para Gardner, indicadores de inteligência como o QI não explicam completamente a capacidade cognitiva.[3] Assim, embora os nomes dados ao conceito tenham variado, há uma crença comum de que as definições tradicionais de inteligência não dão uma explicação completa sobre as suas características.
O primeiro uso do termo "inteligência emocional" é geralmente atribuído a Wayne Payne, citado em sua tese de doutoramento, em 1985.[4] O termo, entretanto, havia aparecido anteriormente em textos de Hanskare Leuner (1966). Stanley Greenspan também apresentou em 1989 um modelo de inteligência emocional, seguido por Peter Salovey e John D. Mayer (1990), e Goleman (1995).
Na década de 1990, a expressão "inteligência emocional", tornou-se tema de vários livros (e até best-sellers) e de uma infinidade de discussões em programas de televisão, em escolas e mesmo em empresas. O interesse da mídia foi despertado pelo livro "Inteligência emocional", de Daniel Goleman, redator de Ciência do The New York Times, em 1995.[5] No mesmo ano, na capa da edição de Outubro, a revista Time perguntava ao leitor - "Qual é o seu QE?" - apresentando um importante artigo assinado por Nancy Gibbs sobre o livro de Goleman e despertando o interesse da mídia sobre o tema. A partir de então, os artigos sobre inteligência emocional começaram a aparecer com frequência cada vez maior por meio de uma ampla gama de entidades académicas e de periódicos populares.
A publicação de "The Bell Curve" (1994) pelo psicólogo e professor da Universidade de Harvard Richard Hermstein e pelo cientista político Charles Murray lançou controvérsias em torno do QI. Segundo os autores, a tendência era que a sociedade moderna se estratificasse pela definição de inteligência, não pelo poder aquisitivo ou por classes. O que causou maior polêmica e indignação por parte de inúmeros setores da sociedade foi a afirmação dos autores de que, no que diz respeito à inteligência haveria diferenças entre as etnias.[6]
[editar] Os conceitos de Salovey & Mayer
Salovey e Mayer definiram inteligência emocional como:
"...a capacidade de perceber e exprimir a emoção, assimilá-la ao pensamento, compreender e raciocinar com ela, e saber regulá-la em si próprio e nos outros." (Salovey & Mayer, 2000).
Dividiram-na em quatro domínios:
Percepção das emoções - inclui habilidades envolvidas na identificação de sentimentos por estímulos, como a voz ou a expressão facial, por exemplo. A pessoa que possui essa habilidade identifica a variação e mudança no estado emocional de outra.
Uso das emoções – implica na capacidade de empregar as informações emocionais para facilitar o pensamento e o raciocínio.
Entender emoções - é a habilidade de captar variações emocionais nem sempre evidentes;
Controle (e transformação) da emoção - constitui o aspecto mais facilmente reconhecido da inteligência emocional – e a aptidão para lidar com os próprios sentimentos.
[editar] O conceito por Goleman
Goleman definiu inteligência emocional como:
"...capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos." (Goleman, 1998)
Para ele, a inteligência emocional é a maior responsável pelo sucesso ou insucesso dos indivíduos. Como exemplo, recorda que a maioria das situações de trabalho é envolvida por relacionamentos entre as pessoas e, desse modo, pessoas com qualidades de relacionamento humano, como afabilidade, compreensão e gentileza têm mais chances de obter o sucesso.
Segundo ele, a inteligência emocional pode ser categorizada em cinco habilidades:
Auto-Conhecimento Emocional - reconhecer as próprias emoções e sentimentos quando ocorrem;
Controle Emocional - lidar com os próprios sentimentos, adequando-os a cada situação vivida;
Auto-Motivação - dirigir as emoções a serviço de um objetivo ou realização pessoal;
Reconhecimento de emoções em outras pessoas - reconhecer emoções no outro e empatia de sentimentos; e
Habilidade em relacionamentos inter-pessoais - interação com outros indivíduos utilizando competências sociais.
As três primeiras são habilidades intra-pessoais e as duas últimas, inter-pessoais. Tanto quanto as primeiras são esseciais ao auto-conhecimento, estas últimas são importantes em:
Organização de Grupos - habilidade essencial da liderança, que envolve iniciativa e coordenação de esforços de um grupo, bem como a habilidade de obter do grupo o reconhecimento da liderança e uma cooperação espontânea.
Negociação de Soluções - característica do mediador, prevenindo e resolvendo conflitos.
Empatia - é a capacidade de, ao identificar e compreender os desejos e sentimentos dos indivíduos, reagir adequadamente de forma a canalizá-los ao interesse comum.
Sensibilidade Social - é a capacidade de detectar e identificar sentimentos e motivos das pessoas.
Testes
Os cientistas têm se empenhado em mensurar essas habilidades, tendo sido validados testes como o "Multi-factor Emotional Intelligence Scale" ("MEIS") (Escala Multifatorial de Inteligência Emocional, 1998) e o "Mayer-Salovery-Caruso Emotional Intelligence Test" ("MSCEIT") (Teste de Inteligência Emocional de Mayer-Salovey-Caruso, 2002).[7].
Os testes tradicionais medem a capacidade cognitiva da pessoa. Já os de inteligência emocional baseados na habilidade, são passíveis de interpretações subjetivas do comportamento. O maior problema enfrentado quando se trata de medição de inteligência emocional é como avaliar as respostas "emocionalmente mais inteligentes": uma pessoa pode resolver situações que envolvem componentes emocionais de diversas maneiras.
Notas
↑ THORNDIKE, R. K. (1920). "Inteligência e seus usos". Harper's Magazine, 140, 227-335.
↑ GARDNER, Howard. "Frames of Mind: The Theory of Multiple Intelligences." New York: Basic Books, 1983.
↑ SMITH, M. K. (2002). "Howard Gardner and multiple intelligences", the encyclopedia of informal education. Transferido de [1] em 31 de Outubro de 2005.
↑ PAYNE, W. L. (1983/1986). "A study of emotion: developing emotional intelligence; self integration; relating to fear, pain and desire". Dissertation Abstracts International, 47, p. 203A. (University microfilms No. AAC 8605928)
↑ GOLEMAN, D.. Emotional intelligence. New York: Bantam Books, 1995.
↑ Revista Mente & Cérebro, nº 179, p. 34-43 (2007).
↑ Daisy Grewal; Peter Salovey. Emoção - a outra inteligência.
Bibliografia
BEAUPORT, Elaine de; DIAZ, Aura Sofia. Inteligência Emocional - As três faces da mente.
GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional.
GOLEMAN, Daniel. Emotional Intelligence: Why it can Matter More Than IQ.
GOTTMAN, John. Inteligência Emocional e a Arte de Criar Nossos Filhos.
MIRANDA, Roberto Lira. Além da Inteligência Emocional.
SEGAL, Jeane. Raising Your Emotional Intelligence: A Pratical Guide.
SALOVEY, Peter; SHIYTER, David J.. Emotinal Development and Emotional Intelligence: Educational Implicates.
WEISINGER, Hendrie. Inteligência Emocional no Trabalho.
Ver também
Testes de QI
Inteligência artificial
Inteligências múltiplas
Pensamento
Semiótica
Cognição
Inibição Cognitiva
Criatividade
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Com um beijo, manifestamos os nossos sentimentos e evocamos emoções.Inteligência emocional é um conceito em Psicologia que descreve a capacidade de reconhecer os próprios sentimentos e os dos outros, assim como a capacidade de lidar com eles.
Índice [esconder]
1 História
2 Os conceitos de Salovey & Mayer
3 O conceito por Goleman
4 Testes
5 Notas
6 Bibliografia
7 Ver também
8 Ligações externas
[editar] História
O emprego mais antigo de um conceito similar ao inteligência emocional remonta a Charles Darwin, que em sua obra referiu a importância da expressão emocional para a sobrevivência e adaptação. Embora as definições tradicionais de inteligência enfatizem os aspectos cognitivos, como memória e resolução de problemas, vários pesquisadores de renome no campo da inteligência estão a reconhecer a importância de aspectos não-cognitivos.
Em 1920, o psicometrista Robert L. Thorndike, na Universidade de Columbia, usou o termo "inteligência social" para descrever a capacidade de compreender e motivar os outros.[1] David Wechsler, em 1940, descreveu a influência dos fatores não-intelectuais sobre o comportamento inteligente, e defendeu ainda que os nossos modelos de inteligência não estariam completos até que esses fatores não pudessem ser adequadamente descritos.
Em 1983, Howard Gardner, em sua teoria das inteligências múltiplas[2], introduziu a ideia de incluir tanto os conceitos de inteligência intrapessoal (capacidade de compreender a si mesmo e de apreciar os próprios sentimentos, medos e motivações) quanto de inteligência interpessoal (capacidade de compreender as intenções, motivações e desejos dos outros). Para Gardner, indicadores de inteligência como o QI não explicam completamente a capacidade cognitiva.[3] Assim, embora os nomes dados ao conceito tenham variado, há uma crença comum de que as definições tradicionais de inteligência não dão uma explicação completa sobre as suas características.
O primeiro uso do termo "inteligência emocional" é geralmente atribuído a Wayne Payne, citado em sua tese de doutoramento, em 1985.[4] O termo, entretanto, havia aparecido anteriormente em textos de Hanskare Leuner (1966). Stanley Greenspan também apresentou em 1989 um modelo de inteligência emocional, seguido por Peter Salovey e John D. Mayer (1990), e Goleman (1995).
Na década de 1990, a expressão "inteligência emocional", tornou-se tema de vários livros (e até best-sellers) e de uma infinidade de discussões em programas de televisão, em escolas e mesmo em empresas. O interesse da mídia foi despertado pelo livro "Inteligência emocional", de Daniel Goleman, redator de Ciência do The New York Times, em 1995.[5] No mesmo ano, na capa da edição de Outubro, a revista Time perguntava ao leitor - "Qual é o seu QE?" - apresentando um importante artigo assinado por Nancy Gibbs sobre o livro de Goleman e despertando o interesse da mídia sobre o tema. A partir de então, os artigos sobre inteligência emocional começaram a aparecer com frequência cada vez maior por meio de uma ampla gama de entidades académicas e de periódicos populares.
A publicação de "The Bell Curve" (1994) pelo psicólogo e professor da Universidade de Harvard Richard Hermstein e pelo cientista político Charles Murray lançou controvérsias em torno do QI. Segundo os autores, a tendência era que a sociedade moderna se estratificasse pela definição de inteligência, não pelo poder aquisitivo ou por classes. O que causou maior polêmica e indignação por parte de inúmeros setores da sociedade foi a afirmação dos autores de que, no que diz respeito à inteligência haveria diferenças entre as etnias.[6]
[editar] Os conceitos de Salovey & Mayer
Salovey e Mayer definiram inteligência emocional como:
"...a capacidade de perceber e exprimir a emoção, assimilá-la ao pensamento, compreender e raciocinar com ela, e saber regulá-la em si próprio e nos outros." (Salovey & Mayer, 2000).
Dividiram-na em quatro domínios:
Percepção das emoções - inclui habilidades envolvidas na identificação de sentimentos por estímulos, como a voz ou a expressão facial, por exemplo. A pessoa que possui essa habilidade identifica a variação e mudança no estado emocional de outra.
Uso das emoções – implica na capacidade de empregar as informações emocionais para facilitar o pensamento e o raciocínio.
Entender emoções - é a habilidade de captar variações emocionais nem sempre evidentes;
Controle (e transformação) da emoção - constitui o aspecto mais facilmente reconhecido da inteligência emocional – e a aptidão para lidar com os próprios sentimentos.
[editar] O conceito por Goleman
Goleman definiu inteligência emocional como:
"...capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos." (Goleman, 1998)
Para ele, a inteligência emocional é a maior responsável pelo sucesso ou insucesso dos indivíduos. Como exemplo, recorda que a maioria das situações de trabalho é envolvida por relacionamentos entre as pessoas e, desse modo, pessoas com qualidades de relacionamento humano, como afabilidade, compreensão e gentileza têm mais chances de obter o sucesso.
Segundo ele, a inteligência emocional pode ser categorizada em cinco habilidades:
Auto-Conhecimento Emocional - reconhecer as próprias emoções e sentimentos quando ocorrem;
Controle Emocional - lidar com os próprios sentimentos, adequando-os a cada situação vivida;
Auto-Motivação - dirigir as emoções a serviço de um objetivo ou realização pessoal;
Reconhecimento de emoções em outras pessoas - reconhecer emoções no outro e empatia de sentimentos; e
Habilidade em relacionamentos inter-pessoais - interação com outros indivíduos utilizando competências sociais.
As três primeiras são habilidades intra-pessoais e as duas últimas, inter-pessoais. Tanto quanto as primeiras são esseciais ao auto-conhecimento, estas últimas são importantes em:
Organização de Grupos - habilidade essencial da liderança, que envolve iniciativa e coordenação de esforços de um grupo, bem como a habilidade de obter do grupo o reconhecimento da liderança e uma cooperação espontânea.
Negociação de Soluções - característica do mediador, prevenindo e resolvendo conflitos.
Empatia - é a capacidade de, ao identificar e compreender os desejos e sentimentos dos indivíduos, reagir adequadamente de forma a canalizá-los ao interesse comum.
Sensibilidade Social - é a capacidade de detectar e identificar sentimentos e motivos das pessoas.
Testes
Os cientistas têm se empenhado em mensurar essas habilidades, tendo sido validados testes como o "Multi-factor Emotional Intelligence Scale" ("MEIS") (Escala Multifatorial de Inteligência Emocional, 1998) e o "Mayer-Salovery-Caruso Emotional Intelligence Test" ("MSCEIT") (Teste de Inteligência Emocional de Mayer-Salovey-Caruso, 2002).[7].
Os testes tradicionais medem a capacidade cognitiva da pessoa. Já os de inteligência emocional baseados na habilidade, são passíveis de interpretações subjetivas do comportamento. O maior problema enfrentado quando se trata de medição de inteligência emocional é como avaliar as respostas "emocionalmente mais inteligentes": uma pessoa pode resolver situações que envolvem componentes emocionais de diversas maneiras.
Notas
↑ THORNDIKE, R. K. (1920). "Inteligência e seus usos". Harper's Magazine, 140, 227-335.
↑ GARDNER, Howard. "Frames of Mind: The Theory of Multiple Intelligences." New York: Basic Books, 1983.
↑ SMITH, M. K. (2002). "Howard Gardner and multiple intelligences", the encyclopedia of informal education. Transferido de [1] em 31 de Outubro de 2005.
↑ PAYNE, W. L. (1983/1986). "A study of emotion: developing emotional intelligence; self integration; relating to fear, pain and desire". Dissertation Abstracts International, 47, p. 203A. (University microfilms No. AAC 8605928)
↑ GOLEMAN, D.. Emotional intelligence. New York: Bantam Books, 1995.
↑ Revista Mente & Cérebro, nº 179, p. 34-43 (2007).
↑ Daisy Grewal; Peter Salovey. Emoção - a outra inteligência.
Bibliografia
BEAUPORT, Elaine de; DIAZ, Aura Sofia. Inteligência Emocional - As três faces da mente.
GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional.
GOLEMAN, Daniel. Emotional Intelligence: Why it can Matter More Than IQ.
GOTTMAN, John. Inteligência Emocional e a Arte de Criar Nossos Filhos.
MIRANDA, Roberto Lira. Além da Inteligência Emocional.
SEGAL, Jeane. Raising Your Emotional Intelligence: A Pratical Guide.
SALOVEY, Peter; SHIYTER, David J.. Emotinal Development and Emotional Intelligence: Educational Implicates.
WEISINGER, Hendrie. Inteligência Emocional no Trabalho.
Ver também
Testes de QI
Inteligência artificial
Inteligências múltiplas
Pensamento
Semiótica
Cognição
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